Solenidade de Corpus Christi

Por Diácono Gabriel Matos Pawlik

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O Papa Urbano IV tinha sua corte em Orvieto, um pouco ao norte de Roma. Muito perto dessa localidade fica a cidade de Bolsena, onde em 1263 (ou 1264) aconteceu o famoso Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração da hóstia fosse algo real. No momento de partir a Sagrada Hóstia, viu sair dela sangue, que empapou o corporal (pequeno pano onde se apóiam o cálice e a patena durante a Missa). A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. Hoje se conserva o corporal, em Orvieto, onde também se pode ver a pedra do altar de Bolsena, manchada de sangue.

O Santo Padre, movido pelo prodígio, e por petição de vários bispos, fez com que a festa do Corpus Christi se estendesse por toda a Igreja por meio da bula “Transiturus”, de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes, e outorgando muitas indulgências a todos que assistirem a Santa Missa e o ofício nesse dia.

A morte do Papa Urbano IV (em 2 de outubro de 1264), um pouco depois da publicação do decreto, prejudicou a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no concílio geral de Viena (1311), ordenou mais uma vez a adoção desta festa. Em 1317 foi promulgada uma recompilação das leis – por João XXII – e assim a festa foi estendida a toda a Igreja.

Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptas, melquitas e rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.

No Missal Romano, nas orações que compõe a Solenidade de Corpus Christi, ressalta a “Eucaristia como memorial da Paixão”, para nós católicos fazer memória não é somente uma lembrança ou uma recordação, mas é tornar presente e atual, o sacrifício de Cristo na Cruz, ou seja, em cada Eucaristia somos inseridos neste imenso mistério de Amor do Pai por nós, por meio de Cristo.

Tal participação gera em nosso interior diversos frutos, como: o aumento de nossa união com Cristo, a comunhão nos separa do pecado, a Eucaristia faz Igreja onde nos comprometemos com todos os nossos irmãos, de modo especial aqueles que mais necessitam.

O Doutor Angélico Santo Tomás de Aquino acerca da Eucaristia, diz: “É o mais salutar dos sacramentos, onde os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os bens espirituais”.

Que este dia de Corpus Christi, alimentados com o pão do céu, não aquele pão que os Israelitas no Antigo Testamento comeram, mas o Pão vivo descido do céu, daquele ao qual comemos e já na terra podemos experimentar o banquete celeste.

Que a Eucaristia, Sacramento de Amor, nos una cada vez mais como irmãos, como Igreja, para que um dia no céu gozemos todos da Alegria Eterna.

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