Como bem me preparar para o Natal!?

Por Victor Hugo Heliodoro
Seminarista da Teologia

No último domingo demos início à segunda metade do tempo antecedente ao Natal. A celebração da vinda do para o meio do textoSenhor está às portas e por essa razão a palavra era gaudete – alegrai-vos! Nesta fase está a liturgia e nela convém estar nosso coração, para que não nos aconteça chegar o Natal sentindo a surpresa de quem não se preparou como devia para bem viver este mistério. Por esta razão, é-nos saudável questionar hoje: “como estou me preparando para o Natal?”, e, naturalmente, é possível levantar-se a questão: “como posso preparar-me bem?”. Devemos todos fazer-nos a primeira pergunta e responde-la mediante Deus e nossa consciência. Nas próximas linhas proporemos algumas sugestões em resposta à segunda questão, pois que os poucos dias restantes para a solenidade podem ser, sim, ocasião de uma boa preparação que eventualmente não se tenha feito até então.

Em primeiro: aproximar-se dos sacramentos. Mais que árvores de Natal, presépios e luzes que podem até servir de preparativos, o fundamental é uma disposição interior acerca da vinda do Senhor, um anseio do espírito que o faz culminar na expressão última do autor sagrado no livro do Apocalipse: Maranata – Vem, Senhor! (Ap 22,20). Esta disposição se cultiva pela vivência dos sacramentos, especialmente, neste tempo, da Eucaristia e da Reconciliação. A Eucaristia é memorial do porquê veio o Senhor, a saber, para resgatar a humanidade através de Sua Paixão, morte e Ressurreição. A Reconciliação é o sacramento da confissão dos pecados a fim de receber o perdão de Deus e de romper com o mal que nos afasta d’Ele. Portanto, será fundamental realizar uma boa confissão para bem receber Jesus no Natal, e a participação nas missas neste tempo – se possível, diariamente – dará a esta festa pleno sentido. Há um exame de consciência ao final da matéria que poderá ser-lhe útil ante a confissão.

Em segundo: viver o perdão. A reconciliação com Deus está ligada à reconciliação com os irmãos – aquela mensagem tão repetida e ainda assim por vezes tão ignorada, mas que, não posta em prática, faz de nós mentirosos (cf. 1Jo 4, 20). Perdoemos! O Ano da Misericórdia nos veio recordar a vontade de Deus, portanto façamos de nosso coração habitação simples como a manjedoura que acolheu Jesus, perdoando ao próximo assim como Deus nos perdoa. O convite é reforçado diante de mágoas de longa data que eventualmente mantenhamos.

Em terceiro: ler as Sagras Escrituras. Para todos os dias há leituras bíblicas que a Igreja propõe. Não são leituras aleatórias, mas apropriadas para o tempo litúrgico que se vive. Neste tempo do Advento nos cabe, como em todas as demais épocas, escutar a Deus que nos fala, principalmente no Evangelho. Uma leitura frutuosa consistirá em uma meditação do texto lido, que não é letra morta, mas Palavra de Deus que nunca envelhece.

Em quarto: manter o hábito da oração. Caso a oração não faça parte de sua rotina diária, torne-a. A oração primeira é quando Deus nos fala – e Ele o faz principalmente nas Sagradas Escrituras – mas nossa resposta a Deus é fundamental, e se expressa numa leitura espiritual, na récita do rosário ou numa conversa espontânea com o Senhor. Nos dias finais do Advento, a Igreja propõe as sete “antífonas do ó”, que enriquecem a oração salientando a expectativa do Senhor, a serem rezadas uma por dia de 17 a 23 de dezembro. Anexamos um arquivo com estas antífonas, as quais se pode meditar encaixando-as nos momentos de oração dos dias mencionados.

Em quinto: testemunhar. Alegria como a do Natal “não se pode guardar para si mesmo, é necessário transmiti-la” (Bento XVI, 10 conselhos aos jovens). É possível preparar-se para o Natal preparando também os outros, anunciando o Evangelho, e, neste tempo, se faz isto concretamente ao enviar um cartão religioso ou ao convidar alguém para uma oração. São práticas simples de testemunho do verdadeiro significado do Natal.

Finalmente: amar. São as virtudes teologais: fé, esperança e caridade. As duas primeiras são fundamentais neste tempo de expectativa da vinda do Senhor, mas a caridade (isto é, o amor) é a maior das três (cf. 1Cor 13, 13). Desse modo, urge viver a caridade, realizando boas atividades, ajudando aos outros, perdoando… afinal Aquele que esperamos no Natal se encontra também no próximo.

Que nossa preocupação não esteja apenas no dia de Natal, mas na vida inteira futura, pois também desta ocasião a Igreja se utiliza para conscientizar da necessidade de conversão. A celebração natalina não é a meta final, senão a oportunidade de um recomeço para uma vida que busque encontrar o seu sentido em Deus. Busquemos transcender as mentalidades de uma “energia positiva” ou de “sentimentos bons”, que ofuscam a visão da verdadeira Luz que é causa do Natal, “a luz que ilumina as nações” (Lc 2, 32). Assim se poderá observar que as sugestões de preparação para o Natal aqui expostas são na verdade necessidade para uma vida cristã autêntica antes que afazeres para uma ocasião única. Por isso, prepare-se para receber o Cristo como se Ele fosse vir por primeira vez! Esforçando-nos para viver em Sua presença neste tempo, receberemos o maior presente de todos: Nosso Salvador.

Anexos:

Confira alguns anexos que lhe auxiliarão na preparação para este natal!

EXAME DE CONSCIÊNCIA

ANTÍFONAS DO Ó


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