A voz de Fátima: 100 anos

Por Alexandre Ramos Daoud Yacoub
Seminarista da filosofia

Por ocasião do Centenário das Aparições de Santíssima Virgem em Fátima, em 13 01de maio deste ano, refletimos brevemente sobre este grande acontecimento. De fato, este evento generosamente concedeu à Diocese de Santo Amaro a sua Padroeira, Nossa Senhora de Fátima. No entanto, o alcance dessas aparições ultrapassa as barreiras de nossa diocese e também a cidade de Fátima e a República de Portugal. Podemos verificar que existe uma comunhão e um parentesco espiritual entre o Brasil e nossos ancestrais/irmãos lusitanos, de quem herdamos não somente a cordura e uma certa pacificidade e tolerância, mas também a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e na sua Igreja. Olhando sob esta óptica, conseguimos perceber e relembrar a nosso chamado como pessoas, como família, como país; uma vocação para o amor e para a paz, e portanto, para Deus.

As aparições para os irmãos Jacinta e Francisco Marto, e para a sua prima Lúcia Santos, iniciaram-se com a visão de um anjo. Embora tenha causado, pela aparência, temor e respeito imensos, sua visão é extremamente reconfortante. Se apresentou como o Anjo da Guarda de Portugal, e mensageiro da Paz.  Pediu que as crianças rezassem com ele, e oferecessem sacrifícios pelas almas dos pecadores para que se salvassem. Não as pediu grandes feitos humanos, nem tampouco contato com grandes forças políticas para o fim das guerras e calamidades. Somente orações e sacrifícios em reparação e caridade pelos outros, seriam o remédio para que houvesse salvação e paz. É reconfortante saber que temos não apenas o nosso Anjo da Guarda pessoal, mas também um Anjo que protege e intercede por cada região e país. Conduz-nos  incessantemente por preces e inspirações, assim como o Anjo de Deus protegia o povo de Israel no deserto.  Como consequência, cada um de nós, e todos como irmãos, também nos ajudamos mutuamente e espiritualmente no caminho do amor e da paz. O próprio Céu, pois,  com seus anjos se dobra para a Terra para nos ajudar como pessoas, como povo e nação a caminhar na nossa vocação para Deus.  Esse fluxo infinito de graças nos abrasa de caridade santa.  Por essa mesma caridade,  levamos o amor infinito de Deus, manifestado em Cristo às nossas casas, trabalhos e a todo lugar em que formos semeados como fermento.

Seguiram-se ao anjo, seis aparições da Virgem Santíssima para as crianças nos dias 13 de cada mês. Em cada uma delas os pedidos de oração e oferecimento pelos pecados para consolar o Coração de Cristo e o seu Coração Imaculado, bem como algumas revelações. Os pedidos de Nossa Senhora são inseparáveis das suas revelações, que eram muito mais do que meras curiosidades, ou apenas previsões sombrias. As visões das almas no inferno, a Segunda Guerra, a ameaça do marxismo soviético e a Igreja padecendo na figura do Papa, eram convites corajosos para que as pequenas crianças, e nós hoje, dilatemos nosso coração, nos convertamos, sejamos grandes almas de amor e caridade. Além disso, que nos ajudemos mutuamente padecendo pela salvação de nossos irmãos, e orando sem cessar, conforme o Senhor já havia nos pedido nos Evangelhos.

 Esse pedido não foi em vão, e pode-se ver logo a imensa transformação que Deus operou por meio de Nossa Senhora no coração daqueles jovens.  Configuraram-se, pois, visivelmente com o Coração Imaculado de Maria, em que reina apenas a caridade de Deus e um amor ardente por todo o gênero humano, especialmente pelos pecadores 02a quem o Senhor veio salvar. De fato, Jacinta e Francisco vieram a falecer logo em seguida, por uma epidemia de Influenza em 1918. A pequena menina ardia com o mesmo amor de Maria Saníssima pelos homens e intercedeu pelos pecadores com sua doença e solidão final longe da família.

Cristo reinou desde o interior do coração daquelas crianças, e as transformou em novas criaturas, em caridade viva. Isso foi reconhecido pela Igreja e eles foram beatificados em 13 de maio de 2000, pelo Papa S. João Paulo II.

Assim, animados pela proteção de nossa Padroeira, como descendentes espirituais dos missionários portugueses, sentimo-nos também atingidos pela promessa de Nossa Senhora de que “… em Portugal sempre se conservará o dogma da Fé”. Contamos, ademais,  com a proteção do nosso anjo da Paz, e pedimos à nossa Mãe que interceda por nós, que o nosso coração seja semelhante ao seu Coração Imaculado, onde Cristo já reina plenamente. Que sejamos transformados em criaturas ardentes de caridade missionária, como os inúmeros missionários portugueses que nos trouxeram a Fé e o amor em Cristo. Que como os jovens Jacinta e Francisco possamos oferecer a Deus com Maria Santíssima nossos corações e nossas vidas, transformados em verdadeiras vocações de amor.

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