A Eucaristia e as realidades últimas!

Por Lucas Alves de Almeida
Seminarista da Teologia

Nas últimas semanas do ano litúrgico, a Igreja nos convida a refletirmos sobre as realidades eternas. Uma vez que apurgatory_mass finalidade última do nosso ser não está no mundo presente, mas em Deus, nosso viver e nosso agir precisa se voltar inteiramente a Ele para n’Ele possuirmos a vida em plenitude.

Já no primeiro dia do mês de novembro (no Brasil, se não cair em domingo, é transferida para o domingo após o dia 1), a liturgia celebra a belíssima Solenidade de Todos os Santos – os oficialmente reconhecidos pela santa Igreja no processo de canonização, e também os muitos santos desconhecidos por nós, mas que compõem a Igreja triunfante nos céus.

O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.” (CIC, 1024)

A didática litúrgica da Igreja faz-nos lembrar, já no dia seguinte, que nem todos são os que alcançam a perfeição cristã já nesta terra, e por isso, a providência misericordiosa de Deus permite que esses que O buscaram de coração sincero, e que ainda precisam purificar-se de seus maus atos, cumpram as suas penas temporais no purgatório, para então entrarem na alegria do Céu.

No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro (Mt 12, 23). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro. (CIC, 1031)

Ainda aqueles que morrem afastados de Deus porque livremente escolheram não amá-Lo, encontram na eternidade o Inferno, a eterna separação de Deus.

As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, o “fogo eterno”. A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira. (CIC, 1031)

Por fim, no último domingo do ano litúrgico, a Igreja “congrega-se em volta do seu Senhor para celebrar o Seu triunfo final, quando vier como Rei glorioso para recolher os frutos da Sua redenção” (Intimidade Divina, 377 A)

  • A Eucaristia une céu e terra

A liturgia celeste apresentada no livro do Apocalipse é identificada em vários elementos da celebração da Santa Missa, a significar que esta é como que antecipação daquela.

Na Eucaristia como sacramento, Jesus nos dá um penhor de vida eterna, um acesso de vida eterna […]: “Este é o pão que desceu do Céu, para que não morra todo aquele que dele comer” [Jo 6, 50]. (Celebrando a Eucaristia, p.24)

Pela Celebração Eucarística já nos unimos à liturgia do céu e antecipamos a vida eterna, quando Deus será tudo em todos [1Cor 15,28]. (CIC, 1326)

Na liturgia, a Igreja – Una – está toda reunida: igreja militante, padecente e triunfante diante de Nosso Senhor Jesus Cristo que se faz pão sobre os santos altares da Igreja dispersa por todo o mundo.

Na Oração Eucarística, o sacerdote reza por toda a Igreja, pelo papa, pelo bispo local, sinalizando a unidade eclesial, e por todos os fiéis (Memento dos Vivos) – Igreja Militante –; faz-se memória dos Santos – Igreja Triunfante –, que se unem a nós no sacrifício eucarístico; e não se conclui o cânon sem ante fazer memória das almas dos “que partiram desta vida, marcados com o sinal da fé” (Memento dos Mortos) – Igreja Padecente. (Cf. Cânon Romano – Oração Eucarística I)

Isto é a Comunhão dos Santos que professamos no nono artigo do Credo. A Igreja Triunfante intercede pela Igreja Militante, que por sua vez intercede pela Igreja Padecente, para que todos estejamos um dia unidos no reino de glória, diante do trono de Deus.

Sim, a comunhão dos Santos estende-se também ao Céu e ao Purgatório, porque a caridade une as três igrejas – triunfante, padecente e militante; e os Santos rogam a Deus por nós e pelas almas do Purgatório, e nós damos honra e glória aos Santos, e podemos aliviar as almas do Purgatório, aplicando, em sufrágio delas, Missas, esmolas, indulgências e outras boas obras. (Catecismo maior de São Pio X, 222)

  • A indulgência aplicável às Almas no dia 02 de Novembro

Na Comemoração dos Fiéis Defuntos, nós podemos lucrar indulgência para aplicar às Almas do Purgatório.

Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório a remissão das penas temporais, consequências dos pecados” (CIC, 1498). Lucrando a indulgência e aplicando-a às almas, nós alcançamos de Deus a graça de retirar uma alma – já salva, mas padecente – do purgatório, dando-lhe entrar no triunfo do Céu.

Esta piedosa prática, nos faz cooperadores na obra divina, e ganhamos no céu, um amigo que, à semelhança dos nossos rogos pela sua entrada no Céu, também ele rogará de junto de Deus para que nós sequer passemos pelo purgatório.

Como lucrar a indulgência para uma alma na Comemoração dos Fiéis Defuntos?

São necessárias as seguintes condições:

  • Participar da Santa Missa e receber a Sagrada Comunhão Eucarística;
  • Rezar nas intenções do santo padre, o Papa (Credo; Pai-Nosso; Ave-Maria; Glória ao Pai);
  • Confessar-se (pode ser feito no período desde sete dias antes até sete dias depois da Comemoração dos Fiéis Defuntos);
  • Visitar um cemitério (pode ser feito no período desde sete dias antes até sete dias depois da Comemoração dos Fiéis Defuntos).

Todas as vezes quanto as possíveis de participar do Culto Eucarístico, seja a Santa Missa, seja Adoração Eucarística, recordemo-nos de que conosco está toda a Igreja, meditemos nos novíssimos do homem (morte, juízo, inferno e paraíso), e com fé ardente, saibamos que temos diante de nós, “verdadeiramente, um pedaço do céu que se abre sobre a terra” (Celebrando a Eucaristia, p.30).

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