O Fermento do Amor! (Mt 13, 24 – 43)

 

O texto evangélico continua com a temática sobre as Parábolas do Reino. Jesus falava em Parábolas porque a linguagem parabólica é rica, questionante e expressiva. Aqui, três imagens são usadas para encorajar seus discípulos, quanto aos desafios que terão, por ocasião da Pregação do Reino.

O Reino dos Céus é comparado a um semeador que saiu para semear, mas que, na calada da noite, o inimigo veio e, junto às sementes espalhadas no solo, plantou também o trigo. E, mais: o Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda; enquanto semente, é a menor entre todas; logo mais, torna-se a maior entre as plantas. E, por fim: o Reino dos Céus é comparado a uma porção de fermento que uma mulher toma e mistura com três medidas de farinha.

Mas, por que Jesus utilizou-se de símbolos tão concretos para catequizar? Em primeiro lugar, porque o Reino dos Céus não é, em hipótese alguma, realidade puramente etérea, sem relação concreta com o chão da nossa vida. Em segundo lugar, porque tudo o que Jesus mais repelia era a formatação de “grupetos”, cercados e redomados pela própria filosofia, crendo serem os donos do universo e o mesmo não podia ocorrer com sua comunidade. E, em terceiro lugar, porque era preciso fazer os discípulos entenderem que nem sempre o outro, o qual não desconhecemos e de quem somos distantes, nem sempre é nosso maior inimigo. Este, reiteradas vezes, mora dentro do nosso próprio eu.

Afinal de contas, quem são o trigo e o joio? Nós, cristãos seguidores de Jesus, temos reais credenciais para bater no peito e afirmar: “Somos o trigo”? Mas, e quem seria o joio? Os outros? E por quê? Simplesmente porque não acreditam nas mesmas coisas que acreditamos? Deus não nos constituiu juízes; seu sonho é quem sejamos apenas filhos e, portanto, herdeiros!

Na verdade, nós deveríamos bater em nosso próprio peito e reconhecer: ora, somos trigo. E isso, acontece todas as vezes que nos abrimos para laços de comunhão fraterna, para o perdão e o amor. Porém, lamentavelmente, também somos joio, todas as vezes que permitimos que o mal, sob algum aspecto, se visibilize em nós.

Hoje, o convite é que sejamos instrumentos do Reino dos Céus e, para isso, a credencial mais importante não é a intelectualidade, a capacidade de produção, o manejo da organização, o sucesso na presidência e condução dos projetos abraçados, mas a força primorosa e substancial do Amor.

Já observaram que o fermento é quantia mais insignificante na receita de um bolo? No entanto, é mais necessário para a confecção e conclusão do mesmo. E por quê? Porque a essência do fermento está na força do bicarbonato unido ao gás carbônico. Enquanto que a força do cristão está na maneira como ama, e, sobretudo, como administra a empresa do seu próprio eu.


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