Maria, exemplo de Maternidade, Discipulado e Paz! (Lc 2,16-21)

 

Amados irmãos e irmãs, hoje celebramos com toda Igreja a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e o Dia mundial da Paz. No Evangelho, deparamo-nos com um texto imensamente singelo, puro, cristalino, para não dizer, angelical. Um texto repleto de catequeses, recados instrutivos e conselhos, com vistas à comunidade cristã que nascia em torno da Pessoa de Jesus. Um texto fraco e desprovido no seu conteúdo histórico de ser, porém tônico e robusto na sua teologia e finalidade de existir.

Sim, neste cenário, simples, mas coeso, uma imagem nos foi revelada: “Maria, José e o Menino”. Imagem esta, magnetizante, atraente, chamativa e fecunda. Sobretudo, porque, enquanto José fora tomado pelo medo, embora fosse curado deste em sonho, temos também a presença do Menino, apresentando-se com seu jeito inocente e puro, e, ao seu lado, a figura de Maria.

Esta contava, apenas, com a arte discreta e pura do ouvir e meditar. Provavelmente, nunca tivera a oportunidade de proferir um discurso, tampouco um sermão, muito menos conduzir uma partilha entre os irmãos. Fruto de uma sociedade separatista e machista, Maria, entendeu que era possível sim, fazer a diferença, só e somente só, fazendo a sua parte e para isso, era indispensável descobrir o seu lugar.

O que fazer quando uma sociedade cala as mulheres? Quando estas não têm vez, nem voz, porque perderam o direito, que nunca tiveram? Naquela época, inúmeras Marias calaram-se, baixaram-se, renderam-se, curvaram-se; ao passo, que nossa Maria, humildemente silenciou, mas não calou, ergueu-se, jamais prostrou-se. Assim, Deus acendeu na Jovem Menina de Nazaré e atomizou o que lá já estava em potência: “Uma fagulha chamejante de amor e paz em defesa da Vida Humana”.

Enquanto os Pastores corriam, apressadamente, para Belém, pondo para fora aquilo que lhes tinha sido dado naturalmente, a voz, a multidão, sem entender, também corria às pressas, para assistir o fenômeno tão esperado. José, diante do milagre, pensava no erro que teria cometido, caso tivesse abandonado Maria, secretamente; Ela, simplesmente, atenta estava ao seu Menino Jesus.

Com essa atitude, Maria nos ensina que a Vida Humana precisa ser defendida, guardada, respeitada e querida em todas as suas dimensões. E que diante desta grande dádiva, toda e qualquer ideologia, hipótese, teologia e filosofia deve abrir mão das suas particularidades e diferenças, unindo-se como que a uma só voz, a fim de que o mundo reconheça que a Vida é um Dom precioso.

Hoje, ainda inclinados a olhar para a atmosfera numinosa e extasiante do presépio, como não admitir quão grande é a lacuna da nossa omissão, quão lamentável é o estupor da nossa mediocridade, quão letárgica tornou-se nossa sensibilidade diante dos problemas da vida? Como podemos fechar os olhos diante de um mundo que passa do radicalismo exorbitante ao lacismo desenfreado, classificando: pedra, árvore, animal irracional, bebês prematuros, como sendo praticamente a mesma coisa?

Ah, quem dera Maria decifrasse a orquestra musical que ostentava em seu coração, naquela grande hora no presépio! Ah, se fomos capazes de sondar seus pensamentos, classificar seus sentimentos, introjetar seus sonhos, cultivar seus valores! Assim, Vidas jamais seriam tiradas, valores desprezados e virtudes relegadas.

Maria, Mãe e Discípula da Paz, pede a Jesus paz para nós que vivemos imersos em nossas guerras tranquilas do cotidiano e paz para tantas mulheres vítimas e/ou protagonistas da cultura de morte, tantas vezes confundida com o direito primordial da mulher!…

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