Jesus: Cordeiro, Encontro e Amigo! (Jo 1,29-34)

 

 

A sociedade da época de Jesus estava cansada e sem alento. Pois, o desencontro exorbitante, a frieza pertinente e a desesperança crescente, tornaram aquele punhado de gente, mais e mais, fechados, descrentes e desanimados.
O Judaísmo, enquanto preceito religioso em voga, naquela época histórica, era fundamentado por inúmeros grupos religiosos que constantemente se digladiavam formando assim, facções elitistas e fundamentalistas. Cada grupo cria verdadeiramente poder conceituar Deus, sua glória, sua graça, sua realeza e seus feitos.
Achavam-se donos do Templo, senhores do culto, patrões do santuário, tabernáculos das bênçãos. De modo que o povo, sem vida nem alento, sem chão nem relação, contava apenas com o frescor da lua e logo mais, eram visitados pela força inusitada do sol, que queimava sem cessar.
Assim aquelas redondezas construíram suas vidas: o encontro era na verdade um deparar-se na frente do outro, o olhar era substituído pelo ver, o conviver trocado, há muito tempo pela aglomeração, o eu pessoal que gerava comunidade e amizade, excluído e carcomido em nome do eu individual, solitário e vazio.
E como no mundo da mitologia, o mesmo aconteceu no mundo bíblico, à última ferramenta ainda existente, presa não na famosa caixa de pandora, mas no coração religioso e expectante de cada israelita, era a chama da esperança. Ah, todos como que a uma só voz participavam do mesmo sentimento: “Quem será o Messias? Será esse Jesus de Nazaré? Mas, quem é Jesus?”
Para a testemunha oficial, João Batista, Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Caso resolvêssemos dissertar teologicamente o significado deste enunciado, nosso texto homilético seria pequeno por demais para hospedar tamanha e profunda reflexão.
Porém, para além dessa catequese, Jesus também é o Deus do encontro, da proximidade, das relações, da amizade. Caminhando entre os seguidores de João, Jesus causa certo mal estar, precisando porque inaugura uma pastoral nova, na vida, no método, no estilo e no conteúdo. Agora, o Deus tão preso e bravo pregado pelos grupos dominantes, deixou-se encontrar pelo povo simples e humilde.
De modo tal, que rezar não é mais privilégio de quem conhece pormenorizadamente a velha teologia escolástica da retribuição, antes, reza bem quem diante da Pessoa de Jesus não tem medo de reconhecer sua pequenez, admitir seus limites, dissertar seu vazio, demonstrar sua involução.
Sim, é Jesus o cordeiro que tira o pecado do mundo, mas esse numinoso cordeiro não é tão alto por demais, tão intocável, como retroprojetamos, tão seleto como imaginamos, tão difícil como julgamos. Jesus, com sua vida e atos, seu estilo e pastoreio, mostrou-nos ser: gente da gente, amigo de todas as horas, irmão confiável, um eterno apaixonado pela pessoa humana, independente do credo, raça, cor e opções.
Para João, Jesus fora o cordeiro que tira o pecado do mundo. Ao ver da nossa reflexão, Jesus é o deus do encontro, porém, para você, quem é Jesus? Já sabes? Eis uma resposta a ser dada diretamente do coração, esta jamais construiremos nos livros ou estudos, senão a partir da intimidade do coração.

 

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