Homilia: A casa de Jesus! (Mc 3, 20 – 35)

O texto evangélico, que hoje nos é dissertado, deu-se no espaço geográfico da Galileia, mais precisamente em Cafarnaum. Jesus continua a percorrer os espaços limitados dessa região, a fim de anunciar o Reino de seu Pai. Porém, começam a crescer ondas de contestações quanto à sua pregação. A narrativa bíblica contém cenas conexas, pois, inicialmente temos a presença de personagens próximos a Jesus; no desenvolvimento da mesma, surge um grupo de contestadores (escribas) e, finalmente, o ciclo narrativo é concluído com personagens próximos a Jesus.

Há uma expressão cara, precisamente pelo fato de situar historicamente o episódio: “Naquele tempo, Jesus voltou para casa”. Que casa é essa? Certamente é uma casa onde Jesus estava pregando a Palavra, e nela acorreu tanta gente que nem se quer podiam comer. Nessa casa, de acordo com percepções abstraídas do texto, havia pessoas do ciclo mais próximo de Jesus, bem como especialistas da lei.

Em todo caso, a casa onde Jesus prega, onde se congrega a comunidade judaica e onde há escribas instalados, poderia ser uma figura da sinagoga, entendida como assembleia do povo de Deus.

Chama-nos a atenção o fato de que “muitos” estavam dentro da casa. Porém, outros resolveram ficar do lado de fora. Alguns não quiseram entrar, certamente porque evitavam a multidão e o tumulto. Porém, outros resolveram não entrar para não se comprometerem.

Em toda a tradição bíblica, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, Deus sempre quis congregar, reunir, ajuntar um povo, uma comunidade, formando assim um clã e, portanto, uma família. Como se esquecer dos grandes chamados vocacionais, outrora realizados na vida de tantos personagens bíblicos? Como se esquecer da pedagogia usada por Deus quando resolveu chamar Abraão? Por que o primeiro fundamento escriturístico para relembrar o passado de Israel se deu com a formação de um clã e uma família? Tudo isso nos faz perceber que Deus sempre sonhou em reunir pessoas, congregar seres humanos, reunir povos, a fim de que estes pudessem ser um único povo e uma única comunidade.

Na plenitude dos tempos, Deus, em Jesus, perseguiu o mesmo desejo: quis reunir um povo! Por isso, Jesus, quer dentro de uma casa, quer fora dela, passou a vida falando sobre o Reino do Pai. Essa casa, hoje, é a Igreja. Comunidade de homens e mulheres que, uma vez lavados e revestidos de Cristo, tomam consciência daquilo que receberam por ocasião do batismo: ser no mundo Sacerdote, Profeta e Rei.

Lamentavelmente, ainda hoje, há irmãos que admiram e até elogiam as iniciativas da casa de Jesus. Há outros que não falam nem bem, nem mal da casa. Existem outros que nela entram em momentos pontuais de suas vidas: para ser batizado e para batizar alguém; para receber a primeira Comunhão; para receber o Crisma; para casar; mas, imediatamente, somem e a ela retornam quando se sentem necessitados de algum apoio espiritual. Outros passam a vida só, e somente só, para criticar a casa de Jesus; entretanto, existe um punhado pequeno, geralmente discreto, que desde a primeira vez que entrou na casa, foi tocado, teve sua vida transformada e logo entendeu: este é o meu lugar!

E, para nós: que importância tem a casa onde mora Jesus? Por que a frequentamos? Ela é a extensão da nossa casa? Sentimo-nos parte dela?

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