Solenidade de N. S. Aparecida! (Jo 2,1-11)


A cena evangélica de hoje chama-nos a atenção, precisamente, por causa do seu ambiente. Pois, quando todos estavam cercados pelas paredes domésticas, num pequenino lar no interior da Galileia, no momento culminante de uma simples, porém bela, festa, tendo já as canções ritmado o passo, e tendo o clima envolvido a todos, eis o choque: o vinho acabou!

Com o término do vinho se supõe o fim da alegria, que contagiava e envolvia a todos. Sim, o vinho acabou e a alegria parecia ter ido embora. Mas, enquanto todos se desesperavam, Maria, com o seu simbolismo maternal e seu jeito carinhoso de ser, de pedir e de interceder, devolve àquele pequeno habitat, o direito de ser novamente feliz.

Eis a presença da Mãe: onde ela está, as situações encontram saídas, o desespero pode se deparar com a esperança, o fracasso pode ser revisto e transformado em gotas de paz e tranquilidade.

Por isso, Ela interveio e levantou a voz: “Filho, eles não tem mais vinho!”. Simplesmente, porque, para Maria, viver é permitir-se, é festejar, é comemorar, é entender que, nas curvas da nossa existência, podemos nos deparar com frustrações, medos e percalços. No entanto, nada disto, poderá definir o que somos, o que queremos ser e aonde queremos chegar.

Hoje, celebramos, com todos os brasileiros e brasileiras, a Virgem Senhora de Aparecida. Quantos milagres, quantas lágrimas e preces, quantas novenas já rendemos a Maria ao longo destes 300 anos de devoção! E tudo isso para dizer-lhe o quanto a amamos! Mas, dentre todas as iniciativas, há uma que encanta profundamente o coração da Mãe: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”.

Encanta o Coração de Maria, quem na vida entendeu, experimentou e abriu-se ao Coração de Jesus. Aí sim, nossas Ave-Marias, tantas vezes recitadas e com tamanho prazer e devoção, ganham em sentido, nosso carinho filial se fortifica e encontra mais e mais razão de ser.

Maria, mulher de poucas palavras e muita ação, de raros sermões e muito silêncio, de muita quietude e pouca dispersão. Aos olhos da contemporaneidade, fria e insossa, simplesmente uma mulher; aos olhos de muitos intelectuais, uma figura rara e difícil de se enquadrar em hipóteses e teologias; aos olhos dos orgulhosos, uma lenda mitologizada. Mas, para o povo simples, quem é Maria? Ah, é a Pequena-Gigante Senhora, que: em Fátima, resplandeceu como estrela, clareando o céu de Portugal; no México, não se importou em se inculturar nas veias do povo indígena; em Lourdes, manifestou-se no brilho das águas paradas e quietas; e, no Brasil, resolveu manifestar-se nas vestes escuras e humildes, num modesto rio do interior, dando-se como símbolo em mãos de pescadores.

Sim, eis a Pedagogia de Maria: confundir os iluminados, fazer tremer os convictos, semear alegria em solo triste, elevar pequenos e colocar, no seu devido lugar, os grandes e poderosos! E, isso, Ela aprendeu com seu Menino Jesus, “os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”, porque “quem se humilha, será exaltado e quem se exalta será humilhado!”.

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