Quem é Deus? E quem sou eu? (Mt 16,13-20)


Foi perto das nascentes do rio Jordão, lugar conhecido, geograficamente, como Cesareia de Filipe, cidade construída por Herodes Filipe, filho de Herodes, o grande, em honra ao imperador Augusto, por volta do ano 2 a.C. Neste local, Jesus, experimentando o lado amargo da sua decisão, e percebendo o povo indiferente e frio, questiona seus discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?”. E, nesta primeira parte da pergunta, não há novidade alguma.

Entretanto, o elemento inovador, a peça chave, encontra-se na segunda parte do questionamento: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Com isso, o enunciado ganhou em sentido e atualidade. Porque ao perguntar diretamente aos seus discípulos acerca da sua identidade, Jesus explicita que agora não se trata, em definitivo, de saber quem Ele é, mas, em primeiro lugar, quem somos nós.

Muitos passam a vida inteira professando a fé Cristã, e até conseguem sustentar teses muito profundas sobre Jesus e sua divindade, mas, lamentavelmente, no fundo, tais indivíduos sentem faltar-lhes algo. E este algo chamamo-lo de: carência na arte do autoconhecimento.

Como ousamos querer conhecer a Deus, se não fazemos a dura tarefa de casa de tentar conhecer-nos primeiro? Como queremos dizer ao mundo quem Deus é, e o que Ele pretende para nós, se, de fato, não sabemos quem somos? Por que existimos e aonde queremos chegar?

Inicialmente, podemos dizer que este texto evangélico trata da identidade de Jesus, mas isso é muito pouco diante da mensagem proclamada. Sim, por um lado, as palavras dissertam a respeito da Pessoa de Jesus e, consequentemente, elevam a sabedoria humilde e magnetizante de Pedro. Mas, por outro, querem colocar toda e cada vida humana diante deste grande e existencial dilema: “Quem é Deus?”. Mas, já sabemos quem somos nós?

A fé Cristã é muito mais que postulações verbalizadas, que ortodoxia expressada e contextualizada, que silogismos coesos e dinâmicos; antes, aquilo em que cremos, a partir do que nos foi ensinado, deve encontrar espaços no estilo de vida que levamos, nas escolhas que fazemos, nas alternativas que abraçamos e no projeto de sonhos que erigimos.

Faz mais ou menos XX séculos, que incontáveis teses, inúmeras devoções, incalculáveis teorias, tentaram, com esforço e maestria, apresentar-nos uma possível imagem sobre a Pessoa de Jesus. Cada iniciativa pesando sempre mais para o lado que acredita. Todas, dentro do patamar ordinário e credível do Magistério, devem ser levadas em consideração. Porém, não será a somatória destas e o conhecimento das mesmas, que nos darão um perfil exato da Pessoa de Jesus.

Será preciso um encontro com Ele, uma experiência verdadeira de amizade com Ele e, para isso, vale quase tudo, menos a pressa! Encontrar-se com o Senhor é não ter medo de deixar o ponteiro do relógio andar, o silêncio seguir seu curso natural, a alma se deleitar no instante seguro e afável, longe dos porquês humanos e racionais.

Pedro chegou à sua conclusão, Paulo do mesmo modo, mas, e nós, já temos a nossa? Falaram-nos na catequese que Deus é puro Espírito, Criador do céu e da terra. Mas devemos nos conformar só e somente só com tal premissa? Ele é muito mais! Façamos experiência do seu Amor e veremos como vale a pena apostar todas as cartas que temos, enquanto jogarmos no jogo da vida!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *