Pedro e Paulo: dois meteoros da fé cristã  (Mt 16, 13-19)

 

Hoje, celebramos, em toda a Igreja, a Solenidade de São Pedro e São Paulo. Ambos são os últimos dois anéis de uma corrente que nos une ao próprio Cristo. Eles são como que “os fundadores” de nossa fé, dos antepassados do povo cristão. Caso fizéssemos um itinerário, a partir dos escritos bíblicos, chegaríamos a essa conclusão.

Pedro era um pescador da Galileia e, juntamente com seu irmão André e seu pai Jonas, não sabia fazer outra coisa a não ser: passar o dia no lago de Tiberíades. E todo dia fazia o mesmo trabalho: lançar as redes, esperar, recolhê-las e, depois, à tarde, consertá-las sentado na praia. Todos os dias, Simão Pedro vivia essa rotina. Interiormente era um tanto revoltado e explosivo, pois 30% de tudo o que se arrecadava precisava ser devolvido aos cofres do Império. Um dia, certamente no fim da tarde, enquanto lançava as redes para a última pescaria, Jesus passou por ali e sua vida mudou completamente. Bastou apenas um olhar, acompanhado de um convite, para fazer Pedro sair da rotina da vida e abraçar uma aventura ainda não conhecida. Essa aventura fê-lo caminhar da Galileia à Judeia, depois pela Palestina, até chegar a Antioquia e, depois, a Roma.

Paulo, por sua vez, fez um caminho diverso. Estava em Jerusalém nos dias em que Jesus foi morto. Lá, aperfeiçoava sempre mais os estudos bíblicos. Tinha um zelo ardente e ardoroso pela Lei, pois acreditava estar dando, com isso, glória a Deus ao perseguir a jovem Igreja. Um dia, Jesus se encontra com Paulo no caminho de Damasco. O encontro foi tão surpreendente que Paulo mal podia balbuciar: quem és Senhor? Paulo sentiu Jesus agarrá-lo na alma e no corpo. E tornou-se de tal modo impelido por esse amor que viajou em sua missão egeia pregando o Evangelho e criando comunidades.

Vinte séculos depois, o cristianismo continua a nutrir-se da teologia e da doutrina paulina. Afinal de contas, como esquecer-se dos dons do Espírito Santo? Dos frutos do mesmo Espírito? Das virtudes teologais? E de onde bebemos? Agostinho de Hipona se converteu ouvindo um trecho de uma de suas cartas. Dominicalmente, nós nos nutrimos de seu extraordinário conhecimento de Cristo.

Com Pedro e Paulo podemos aprender que quem faz a Igreja ser o que é, é Cristo. Ele sim é a pedra, o fundamento, a substância, a estrela principal “enviada” por Deus para saciar a nossa carência ontológica de ser. Ele sim é a pedra fundamental, cujo brilho não se apaga jamais. E que quis, por benevolência divina, tornar Pedro e Paulo, num dado momento da história, dois meteoros fundamentais no desenvolvimento da jovem Igreja que nascia.

Hoje, olhando para estes dois grandes homens, e sentindo-nos parte desta imensa tradição, devemos almejar nos tornar o que, pelo batismo, fomos capacitados: pedras vivas no grande edifício que é Cristo.

Celebrar a festa de Pedro e Paulo, colunas e pulmões da Igreja, é entender que todos os dias, seja à beira do lado de Tiberíades, seja no caminho de Damasco, Jesus, através do Espírito Santo, continua passeando e continua chamando homens e mulheres, para que venham trabalhar na sua messe. Quem sabe, assim, consigamos romper a estrutura inerte e estática que nos envolve na mediocridade da nossa vida e nos lancemos na missão da partilha, do amor, da relação e da comunhão.

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