O Tesouro é Deus! (Mt 13, 44 – 52)

Jesus sabia que muitos, ainda, não acreditavam em sua Palavra. Não haviam se encantado pela sua proposta, estilo e opção de vida. Então, a fim de conquistar os indecisos, quem sabe, não valeria a pena, mais duas pequenas parábolas? De cunho muito simples e com poucas imagens, o Mestre, na sua humanidade temporal, traduz a sua experiência com o Pai celestial.

Para Jesus, quem descobre Deus, descobre um Tesouro. E o que exatamente representa um tesouro para um pobre? Tudo! Assim acontece com a criatura, quando tem experiência com o Criador. Ah, lamentável que muitos abandonam a religião, sem nunca terem experimentado Deus! Há pessoas que passam a vida inteira na religião, conhecem suas normas e conduzem o horizonte da própria vida, com maestria e esmero intocáveis, porém, nunca se encontraram com Deus.

A estes, o que diria Jesus? Ao certo, não sabemos; o que intuímos é que são verdadeiros pobres de coração e alma, no sentido negativo do termo, porque, tendo oportunidade de visitarem o centro, permaneceram estacionados e hospedados na periferia. Podendo ir ao ponto cardeal, preferiram morrer na valeta da superficialidade.

Não podemos fazer parte do coro dos cristãos que permaneceram na fé, sem saber, ao certo, a razão que os levava a crer; nem tampouco, devemos pertencer ao grupo dos cristãos cuja vida não é marcada pela alegria, pelo assombro, ou pela surpresa de Deus, simplesmente porque preferiram professar a fé movidos pelos acidentes, quando deveríamos fazê-lo pelo encontro com a substância.

Quem dera se nossa reação fosse semelhante à atitude dos protagonistas da Parábola. Lá, eles, ao encontrarem o tesouro, venderam tudo. Nós dizemos que encontramos Deus, mas permanecemos instalados e inclinados em nosso eu, sentimos embaraços quando precisamos perdoar, afogamo-nos em lágrimas quando somos machucados, como se tudo o que passamos, nesta breve vida, devesse se comparar à aventura humano-divina do encontro com o Senhor.

Hoje, Jesus quer ensinar, sobretudo aos indecisos, que quanto mais uma vida perde aos olhos deste mundo, ela só tende a ganhar em autenticidade e coerência, aqui, e muito mais no mundo de Deus. Pois, ou damos sinceras razões da fé que cremos, ou nosso sentimento religioso, muito em breve, transformar-se-á em indiferença mórbida e fria.

Sirva esta Celebração para fazer-nos buscar Deus. Uma coisa é conhecer o Mistério, e isso podemos fazer através dos livros. Outra, bem diversa, é encontrar-se com Deus e, aqui, cada qual deve partir da sua própria experiência. Não precisamos copiar os outros. Querer experimentar Deus é sentir necessidade Dele.

Lembremo-nos de que Ele não grita, não clama, não fala, não pede, Ele simplesmente é. E está sempre pronto para se relacionar conosco. Que tal começarmos a pensar sobre isso, mais um pouco? Porque, do contrário, que sentido teria nossa vida? Despertar, trabalhar, voltar para casa, estudar, pagar contas, envelhecer, morrer…! Jesus, em meio a tudo isso, teve tempo também para: perdoar, rir, amar, e sabem por quê? Porque Jesus experimentou o que significa, na terra fria e desértica da Palestina, encontrar-se com Deus. Quem se encontra com Ele, acaba por encontrar-se consigo mesmo e é neste movimento singelo, que descobrimos o patamar da nossa verdadeira maturidade humana e o quanto somos senhores de nós mesmos!

 

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