O Pecador e o Pecado! (Jo 8,1-11)

Jesus e, diante de si, uma mulher pega fatalmente em adultério. De acordo com a presciência da Lei, dissertada no Pentateuco levítico, este caso incitaria morte na certa. Ainda, a leviandade do fato, sobretudo praticado por uma mulher, aumentava significativamente o peso do ato.

Na sociedade em que Jesus vivia, a mulher não gozava de direto algum; seu valor não ultrapassava o de uma ovelha, solta e errante, naquelas terras desérticas; seu prestígio se chamava privação; sua alegria consistia, apenas, em servir seu senhor; ser sem voz, sem vez, sem oportunidade.

A problemática que se levanta, hoje, no texto é: “De que lado, este nazareno, pregador desinibido, se posicionará? Do lado da Lei estabelecida desde o Antigo Testamento ou do lado da mulher?”.

Para surpresa de todos, Jesus revelou seu lado, seu partido, seu clã, sua paixão: acolher a pessoa humana, independente das opções e credo! O lado de Jesus é o do Amor, é precisamente aquele que vê a pessoa em si mesma, nada mais.

Desse modo, Ele não precisou branquear o pecado e fazer-lhe apologias, nem tampouco, ratificou a permanência de um Credo que, em nome de Deus, gera morte e escravidão. Mas, exercendo a pastoral da Misericórdia, acolheu a desacreditada e repeliu os hipócritas!

Por que julgamos que Jesus agiu com muito amor, em relação a esta mulher? Exatamente porque em momento algum, Ele questionou: “Mulher, estás arrependida? Prometes que nunca mais cometerás tamanha ofensa? Juras, por tudo que é sagrado, que servirás somente a mim e a mais ninguém?”. Não, Jesus não agiu assim!

Oxigenado por um Amor límpido, provindo da Trindade, Jesus, ao atingir os outros com seu modo diverso de amar, não cobrava por aquilo que exercia. Antes, fazia o seu interlocutor entender o tamanho do seu problema e perceber a possibilidade de ser feliz abandonando-o.

Quando serão aceitas nossas orações? Quando serão transformados os nossos impossíveis em sementes de possibilidades? Quando terão êxito nossos esquemas de pastoral e de administração? Quando aumentará o número de católicos praticantes?

Quando entendermos, a partir do coração, o jeito de agir de Jesus. Um agir imune de interesses, de pressa, de pressões, de recompensas. Um agir livre, verdadeiro, de querer simplesmente se importar com a dor do outro, ainda que ele nada tenha para retribuir.

Entre o dedo do homem Jesus, que escrevera ditos na terra, e os pensamentos turbulentos e escravos de um ser sem valor (a mulher), existia a concretude do Amor de Deus. Este não nos abandona jamais!

Temos consciência de que entre o abismo dos nossos fracassos e a dor dos nossos remorsos há um núcleo forte e livre, chamado Amor, e que podemos encontrá-lo em Jesus, Filho de Deus?

Cientes disso, acorramos a Ele, entregando-lhe nossas amargas aventuras, com confiança, pois sua praxe é preferir a pessoa aos esquemas, o Espírito à letra, à vida e à morte.

Pe. José Ancelmo Santos Dantas – Coord. da Feira Vocacional