Homilia: O ordinário e o extraordinário da vida! (Mc 6, 1-6)

No texto evangélico de hoje, deparamo-nos com a visita de Jesus em sua terra natal. Nazaré geograficamente se situava a oeste do lago de Tiberíades numa distância aproximada de 22 km. Uma vila pequenina, pobre, de economia estritamente agrícola e que sempre fora esquecida pela literatura veterotestamentária.

Belém também era uma aldeia insignificante, todavia Deus havia passeado nela por causa da grande tradição sobre o rei Davi. O que significa que Belém sempre esteve à frente de Nazaré, uma vila pobre e esquecida.

Mas, Jesus viveu bons anos de sua vida em Nazaré, com sua família. O grande choque, de acordo com o Evangelho de hoje, consiste no fato de que os membros da sinagoga criticam e até zombam da origem de Jesus e de sua família. Ele proviera de origem pobre e desacreditada, de uma família sem formação cultural. Ele nunca fora considerado um rabino, pois nunca frequentara estudos sistemáticos do judaísmo.

No entanto, o que Nazaré e a sinagoga não entenderam é que Ele era o Filho de Deus vivo. Para isso, o mais importante não é o nível cultural, o laço familiar ou o endereço onde se mora. A sentença acusadora atribuída sobre Jesus, “de onde lhe vem toda essa autoridade?”, é fruto de um preconceito formado por pessoas que não conseguem ir além das aparências e das estruturas.

Sim, aos olhos dos sues conterrâneos, Ele era só e somente só o garoto de José e Maria, mas, aos olhos do Pai, Ele sempre fora o Filho primogênito e unigênito, que não se importou em entrar em nossa vida, armar a sua tenda no meio de nós e assumir a nossa humanidade.

O brilho intelectual expressado nas palavras de Jesus e a sabedoria que Dele provinha nunca foram ferramentas conquistadas meramente pelo esforço próprio, ou contidas nos grandes manuais rabínicos. Esta sabedoria inteligente, capaz de magnetizar aqueles com quem Ele se encontrava, sempre foi fruto do amor trinitário, que envolvia a vida humana divina de Jesus.

Logo mais, veremos, nos episódios bíblicos, que bastará um olhar, um toque, um encontro, uma palavra, para que o outro se encante pelo Nazareno. E o que isto significa? Que Deus, o Pai, através do seu Espírito, apostou todas as cartas no seu Jesus. Agora, Nazaré, Belém, Judeia, e até Jerusalém, jamais serão esquecidas, porque por estas cidades passou o Filho de Deus.

Na liturgia de hoje somos convidados a entender que o que torna uma vida extraordinária não é necessariamente a família de onde proviemos, o lugar onde nascemos, os diplomas e certificados que reunimos, mas as escolhas que fazemos e as decisões que tomamos.

Quantas pessoas de origem simples e árvore genealógica conturbada tornaram-se verdadeiras estrelas. Por outro lado, quantos que nasceram em verdadeiros palacetes, hoje são obrigados a sobreviver com um coração mais pobre do que um barraco?

Jesus, que não nasceu em um palacete, nem tampouco em um barraco, mas numa manjedoura, ensinou aos nazarenos que a extraordinariedade de uma vida se dá pela capacidade de abertura e relacionamento com os outros e, sobretudo, com Deus.

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