Homilia: O Deserto e o Reino! (Mc 1,12-15)


Amados irmãos e irmãs, iniciamos em toda Igreja o Tempo quaresmal. Por meio dele, podemos reflexivamente caminhar mais para dentro de nós, talvez, uma peregrinação existencial, quem sabe, segui uma estrada nova, que nos leve a caminhos interiorizantes, suscitando perguntas, pois assim fugiríamos da pressa moderna, da resposta pronta e da frieza que escraviza.

Jesus, no início do seu ministério, sentiu essa necessidade. Sabia que precisava anunciar algo novo, novidade esta, que abalaria as estruturas de Israel, causando impacto positivo em meio aos seus. Do anúncio, já se sabe o conteúdo: “O reino dos céus está próximo”!

Mas, não é verdade que Israel já fora governada por muitos reis? E o que mudou? Que diferença nos trará esse reino que virá com Jesus? Valerá a pena colocar a própria vida em xeque, por tal causa? Mal sabiam que este Reino seria infinitamente melhor que os demais. Afinal, os reinos já conhecidos estruturavam-se pelo poder e para o poder, já o pregado por Jesus, nada quer, a não ser, o serviço e a doação de si mesmo. Os outros reinos fazem barulho, derramam sangue, armam motins, tem exército com grande poderio bélico, enquanto que o de Jesus prefere o silêncio, a calmaria, e ao invés de usar as armas, usa o fermento do amor e da paciência.

Enquanto o povo murmurava esperando o Messias, Jesus retirou-se deserto adentro. Sim, era preciso ir ao deserto. Nas Escrituras, o deserto sempre fora situado como casa das grandes revelações. Mas, sistematicamente podemos entendê-lo, não apenas, como uma delimitação geográfica, senão como lugar onde o ser pode parar, para entender-se, porque no autoconhecimento, está também Deus! Quem sabe, dessa forma, a Palestina não experimentasse um jeito novo de governar, pautado no serviço e no amor?

E de fato, passaram pela Terra Santa grandes Impérios, dadivosos Líderes, sublimes Monarcas, incontáveis tripulações, mas nenhum deles marcou tanto a sua história, como Jesus, o Galileu de Nazaré. Quem dos reis exaltou a beleza da natureza? “Olhai os lírios do campo” (Mt 6,28). Qual deles tocou o impuro? “Eu quero, fica limpo” (Mc 1,40-45). Que representante real, elogiou a minúscula quantia ofertada pela viúva, as grandes ofertas dadas sem consciência? “… em verdade eu vos digo, esta pobre viúva doou mais…” (Lc 21,3).

Por estas e outras razões, é que o Reino anunciado por Jesus, ganha qualificadamente dos outros reinos. Tornar-se membro desta realidade é preciso, mas a exigência nos foi pedida: desçamos ao deserto, não tenhamos medo desta grande escola, caso olhemos o passado, veremos que muitos homens e mulheres, tornaram-se melhores depois do silêncio do deserto. Nesta escola, a melhor nota não é a mais alta, senão a mais reflexiva, a resposta mais perfeita, acontece através da pergunta mais preparada, o melhor professor não se encontra no exterior de cada eu humano, antes, o Espírito Santo faz suscitar, dentro de cada qual, as devidas moções, questionamentos e propósitos. Em todo caso, continua de pé os já conhecidos: Oração / Esmola e Jejum!

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