Homilia: O Caminho do Amor! (Jo 3, 14-21)

 

Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos em toda Igreja o quarto domingo da Quaresma, conhecido por domingo laetare, isto é, o domingo da Alegria! E, do Evangelho hoje proclamado, podemos beber, certamente, da mais pura verdade sobre Deus e seu Mistério Divino. Sim, hoje celebramos a Alegria, porque celebramos a força dadivosa do Amor.

Aproximando-se do velho Nicodemos, Jesus afirmou: “Deus amou tanto o mundo, que lhe deu seu Filho…”. Ora, para além de outras vias de interpretação que o texto oferece, queremos nos empenhar na temática do Amor.

Todos nós, reiteradas vezes, já ouvimos essa oração: “Deus nos ama!”. E, de fato, entendemos este enunciado ou, antes, ele soa como um chavão, espécie de slogan tatuado nas placas de caminhões, nas portas das geladeiras, cunhado no lema das mídias e tatuado na pele de muitos? O Amor de Deus é uma realidade única. Entre Ele, com todos os seus atributos e predicamentos, e nós, com nossas limitações e impotência, há a fagulha cristalina do amor!

Hoje, se quiséssemos descer um pouco mais na profundidade desta citação poderíamos “brincar” com as palavras, afirmando que “Deus preparou um caminho para o Amor”. Antes de nascermos, o Amor já existia; foi Ele quem preparou tudo, fez festa, levantou torcida, rompeu barreiras, fez dois seres humanos se encontrarem, se amarem e se desejarem, tudo para que nascêssemos e fôssemos recebidos nesta terra pelo mesmo Amor.

Crendo ser pouco tudo o que já havia feito, o Amor não parou por aí. Resolveu acompanhar seus amados, cuidando deles, ajudando-os, protegendo-os, guiando-os e oferecendo, através de inúmeras vozes proféticas, seu apreço pelo ser humano, sem jamais desistir dele.

Mas, percebendo que podia fazer mais, o Amor, sem deixar de ser o que era, tornou-se o que não era e armou no meio de nós sua casa. O Amor veio na pessoa de Jesus de Nazaré, Ele foi e é o sinal mais perfeito e puro do Amor dadivoso do Pai.

Hoje, Ele se encontrou com um velho, certamente cansado, abatido, desconfiado e, ao mesmo tempo, muito certo de si, pelas experiências já acumuladas na vida. Mas, mesmo diante dos mais velhos, Ele continuou lançando no mundo a proposta de seu Pai: Amar! Porque sempre é tempo de aprender a Amar do jeito de Deus.

Muitos já desistiram de Amar, uns porque foram traídos, outros porque não receberam o amor do jeito certo, e, alguns, porque nunca se permitiram. Antes, preferiram o medo e o próprio eu. Mas, que tal se hoje tentássemos viver, novamente, essa proposta? Que tal saírmos da celebração levando nos lábios um sorriso alegre, movido por um amor contagiante? E se começássemos a tratar as doenças da alma (tristeza / ressentimentos / intolerância / julgamentos) com a fagulha do Amor de Deus, expresso em Jesus? Unamos este desejo à tríade da quaresma: Oração, Esmola e Jejum.

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