O Banquete e os Convidados! (Mt 22,1-14)


O que significa esse contundente versículo: “Tendo Jesus começado a falar em parábolas, disse-lhes: ‘O Reino do Céu é comparável a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir’”?

Os convidados de honra, chamados de modo especial, logo foram substituídos pelos pobres, que se encontravam nas ruas da cidade. É uma forma muito eficaz de dizer que o Evangelho é para os pobres! Aliás, tal afirmação é claríssima nos três evangelhos sinóticos, a começar pelo discurso do Sermão da Montanha: “Felizes vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus”.

Esta linguagem de Jesus costuma nos deixar pouco à vontade, precisamente porque, quando falamos sobre a pobreza evangélica, logo a reduzimos à pobreza econômica. E quem dera se todos os problemas do Reino fossem os pobres na dimensão material! Isto poderia ser sanado, pois bastariam iniciativas inteligentes e responsáveis, para levarmos a termo esta empreitada.

Jesus, no Evangelho, elogia lamentando, e lamenta elogiando, os pobres. Mas, quem seriam estes? Estes seriam, verdadeiramente, todos aqueles que no cotidiano de suas vidas descobriram que não dá para viver sem Deus. Sem Deus, a vida se tornaria tão rude e vazia, semelhante ao paladar que pode custear o que bem quiser, mas não é capaz de sentir o gosto do alimento que experimenta. Porque o sabor da comida nem sempre depende só do tempero, mas requer a disposição do paladar, o gosto afável da reunião, a decisão de estar à mesa, a necessidade de precisar de outros para se encontrar.

A festa não foi desfeita, mas os convidados sim! E por quê? Porque Deus não desiste de acreditar que a vida deve ser símbolo de comemoração, de encontro, de partilha, de troca de experiências. E, aqueles que, no hoje da sua existência, preferem o aparelho de TV, o Iphone, o videogame, ao encontro com os outros, correm o sério risco de serem substituídos pelo anfitrião da casa. Mas, o que levaria Deus a nos substituir? Certamente para aprendermos que, no jogo entre criatura e Criador, nós é que somos substituíveis, Ele não, Ele É, ontem, hoje e sempre!

Objetivamente, Jesus entendeu que sua vida era um convite perene e que todos deveriam sentir-se chamados a dela participar. A mesa se daria formalmente na Ceia, mas esta fora concebida bem antes, isto é, todas as vezes que Jesus decidiu pelo Amor, pelo Reino, pelo Pai, pela pessoa humana. Por isso, tendo os pés no chão e os olhos voltados para o Alto, seguia seu curso, sem impôr ou adular, mas com vigor, e de modo singelo, procurava semear, no coração de todos, fagulhas de eternidade. E assim, o Filho do Rei nos ensinou que no Cristianismo o reinado não é poder, mas serviço; que autoridade não é autoritarismo, mas força que se expressa na doação; que ninguém deve arrogar-se por ter uma credencial maior. Para o Filho do Rei, a única passagem e o único bilhete a perdurar será sempre a sincera e leal pobreza evangélica, raras vezes encontrada em humanos abastados ou carentes, mas profundamente vislumbrada em corações que na vida descobriram seu lugar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *