Maria, estrela da paz! (Lc 2, 16 – 21)


Amados irmãos e irmãs celebramos em toda a Igreja a Solenidade da maternidade de Santa Maria, Mãe de Deus e o dia mundial da paz.  O texto evangélico desta liturgia, narrado por São Lucas, não pretende ser uma reportagem ou uma crônica social a cerca do nascimento de Jesus e das visitas recebidas no presépio. Lucas está interessado antes em catequisar os cristãos.

Com a chegada de Jesus ao mundo, atingimos o centro do tempo da salvação, pois em Jesus Deus lançou toda a sua sorte, em Jesus Deus concedeu aos homens toda a sua paz e em Jesus Deus apostou todas as cartas que tinha consigo mesmo.

Iniciamos um novo ano e o que devemos fazer para amanhã colocarmos o pé direito quando levantarmos? Devemos continuar acorrendo aos horóscopos, para saber alguma coisa acerca do ano novo que se aproxima? Devemos amarrar-nos nas simpatias e nas tolices diversas, fruto de uma fé extremamente infantil e estreita, a fim de recebermos sorte, paz e crédito? Não!

Devemos acorrer como Maria, mulher portadora da paz ao centro do tempo salvífico, que é Jesus! Este sim é a nossa paz, oxalá recorrêssemos a Ele e retirássemos de uma vez por todas as crendices, simpatias, superstições, e ingenuidades de um sistema religioso enfeitado em torno da fé, que acredita mais nos pormenores da fé do que no seu verdadeiro autor que é Jesus.

E como Deus é comunidade, em Jesus, Ele se entregou de igual modo, nesta noite, ele está presente na sociabilidade da comunidade do presépio, isto é, em Jesus, Maria, José, pastores, visitantes longínquos e até seres irracionais. E porque?

Porque a paz preferirá sempre lugares humildes e aconchegantes, a paz enquanto fagulha dada e doada por Deus prefere um irracional aberto ainda que pelo instinto, do que um racional lacrado e fechado no orgulho, na avareza e na prepotência. Porque a paz não apoderou-se do palácio de Herodes? Antes, ela preferiu ir à aldeia mais desconhecida do mundo? Porque a paz é assim: ela vai onde humanos a querem e a desejam. Embora Jesus seja a nossa paz, depois dele ninguém neste mundo soube o que significa ser um verdadeiro instrumento de paz, mas que a mãe Maria.

Maria estrela da paz, não porque foi uma mulher de poucas palavras, mas porque foi uma mulher com esquemas claros e definidos no coração. Logo cedo esta pobre virgem, preferiu cantar no coro da simplicidade e da humildade, à enfileirar-se no trampolim dos horóscopos, simpatias e rituais coisificados acerca do próprio bem estar.

Tudo isso quer nos indicar que o que faz alguém ser da paz, não é a roupa branca e alvejada que porta, nem tampouco a comida que saboreia à uma mesa bem posta com a sociabilidade da família, antes é instrumento de paz quem nesta vida não teve medo de abrir-se nos sentimentos e emoções, na sensações e nos desejos, nos projetos e metas para permitir que o fruto maduro de Deus aí entrasse, aí vivesse e aí morasse.

Celebrando o dia mundial da paz, e a festa da maternidade de Maria, estrela da paz coloquemos no altar do Senhor, por meio das mãos de Maria todos os projetos e anseios, todas as curvas e esquinas, todos os percalços e contratempos que em nós ainda não foi atingido pelo dom da paz.

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