Homilia: João, instrumento do Amor que passa! (Jo 1, 35-42)


Amados irmãos e irmãs, celebramos em toda Igreja o segundo Domingo do Tempo Comum. Hoje, a liturgia da Palavra nos coloca diante de um texto evangélico fabuloso. Ele só é entendido, em profundidade, por aqueles que não têm medo de descer nos alicerces do escrito, a fim de compreender o lugar exato e preciso de cada personagem abordado.

Lá estavam os três: André, um inominado e João Batista. O primeiro, movido pelo encanto inicial de ter sido chamado, convocado e incluso no meio do projeto joanino. Nesse momento, podemos intuir que André sentiu o que todo vocacionado sente ao saber que foi convocado e que tem um lugar em meio à Messe. O segundo, cujo nome não conhecemos, e que durante a história tornou-se motivo de hipóteses diversas, certamente também estava encantado, resoluto, seguia juntamente com André, a figura de João, crendo nos sonhos e nos projetos deste homem justo e ético.

E, por fim, na cena havia João, um homem cheio de metas e objetivos. Logo cedo, entendeu que a pequenina Judeia precisava sofrer uma revolução diversa no método, no modo e nas circunstâncias. Mas, João também sabia que ele era simplesmente uma figura estática, passageira, circunstancial e nada mais!… E, neste sentido, João entrou na história como o verdadeiro vocacionado. Sim, aquele que foi chamado deve saber qual é seu lugar, sua missão e o horizonte preciso do alcance de seu trabalho.

Neste evangelho, o que mais presenciamos, são comentadores prontos para exaltar a alegria e a disponibilidade dos dois que foram; e raras são as vezes em que se observa a singularidade da figura de João; este conhecia seu trabalho e sabia que não podia ir mais longe. Por isso mesmo, instruiu e demonstrou, tornando-se instrumento livre e fiel até o fim.

Seguir Jesus é preciso e tornar-se seu discípulo é necessário. Mas, para isso, reiteradas pessoas precisarão encontrar, em seu caminho, braços estendidos, boca aberta, sorrisos nos lábios e vida dada e doada como a de João. A fim de que se encontrem com o Mestre, conheçam-No de verdade, amem-No com todas as forças do coração e jamais voltem atrás.

Entretanto, para chegar ao nível de maturidade de João, como aquele que livremente apontou e indicou, faz-se necessário muita clareza de si, muita certeza acerca de questões fundamentais e que já foram respondidas no itinerário da própria vida: quem sou eu? Por que estou aqui? Aonde pretendo chegar? Quando e como fui chamado? Fui chamado ou chamei-me a mim mesmo? Levo os outros a Jesus, ou antes, levo-os a mim? Sou discípulo e missionário ou apenas um fã de Jesus? Por que prefiro levar-me a mim mesmo?

De acordo com o texto, o sonho de Jesus é que o busquemos; afinal de contas, uma vida que não O busca, acostuma-se com a famosa máxima do “ir vivendo”, ou ainda, do “ir levando”. Buscar Jesus é muito mais que estudar coisas sobre Ele, ler livros e decorar capítulos e versículos escriturísticos. Buscá-lo é fazer experiência do seu Amor dadivoso, Amor este que não julga com critérios matemáticos, mas com doses existenciais.

Que tal aproveitarmos a Celebração Eucarística para fazermos experiência desta verdade?

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