Jesus e o seu Caminho! (Lc 22,14-23,56)

Ciente estava de que a Galileia era demasiadamente pequena para tê-Lo, fechada para acolhê-Lo e atrasada para entendê-Lo. Jesus não teme seguir seu caminho, convicto de que a Galileia seria apenas o ponto inicial, o primeiro programa, o marco zero da sua atividade pastoral. Lá, tudo começou, mas não será lá, necessariamente, a conclusão dos fatos. Será em Jerusalém! Satrapia subordinada ao Império Romano, cidade renomada, relativamente desenvolvida para a geografia da Palestina, lugar do lucro, do câmbio, do credo, da massa popular; morada de Deus e descanso das almas boas, segundo a Teologia dos Salmos.

Esta cidade, acostumada está a receber em seu seio tanto homens simples, gente crente e ingênua, capaz de doar tudo o que tem em nome da fé que professa, quanto gente grande, de alta estirpe, letrada e encoberta pelo véu aparente e ofegante.
Hoje, eis que a pequena/grande Jerusalém recebeu alguém diferente. Nome? Jesus. Origem? Para alguns, Belém, para outros, Nazaré. Formação? Desconhecida. Ideal? Fazer a vontade do Pai. Meta? Falar a verdade. Vocação? Amar. Caminho percorrido? Geograficamente, da Galileia a Jerusalém; espiritualmente, do Eu Eterno do Pai ao nosso eu humano.

Por que este jovem abalou, tão fortemente, as estruturas da cidade? Incomodou, tão velozmente, o quadro político? Desmascarou, tão substancialmente, o credo vigente? E ainda, conseguiu fazer o sistema entender que uma sociedade que olha o ter, em detrimento do ser, caminha para o fracasso existencial?

A resposta se chama: liberdade! Esta, não enquanto uma ferramenta ressuscitada, movida pelo mecanismo do orgulho, mas enquanto certeza pessoal de que o bem deve ser praticado e o mal evitado! Ser livre significa fazer o que precisa ser feito, com consciência e certeza do lugar ocupado e da função exercida.

O povo de Jerusalém foi visitado pela Verdade de Deus, mas muitos naufragaram na mentira vergonhosa porque, uma vez visitados pelo Esplendor da Verdade, com liberdade preferiram o esquema das correntes, da escravidão que maltrata, brinca, zomba, mas dá pão e circo. Transliterando, seria “rouba, mas faz; ganha dois, mas reverte um em benfeitoria para o povo”! E, para justificar o roubo, a mentira, a desordem, exclama e aponta: “E o erro do outro? E o desvio praticado pelo outro, isto está sendo objeto de investigação?”…

Nesta Celebração de Ramos, ao levantarmos nosso ramo de palmeira verde e vivo, levantemos também nosso espírito, nosso ser e, a partir do levantamento do Corpo de Jesus, realizado pelo Pai e pelo Espírito, entendamos que uma fé acrítica, aliena, machuca, caduca, não nos torna livres, mas escravos, no pior sentido do termo. E, enfim, entendamos que, percorrendo seu caminho, Jesus sempre teve claro o seu sim e o seu não. Jamais balbuciou, nem titubeou!

Que o nosso “jeitinho brasileiro” jamais nos faça “morrer na praia” da indiferença e da injustiça!