Homilia: Os Santos são Felizes! (Mt 5,1-12)

 

Amados irmãos e irmãs, encontramo-nos diante de uma narrativa evangélica tensa, provocativa e bastante atual. Por um lado, tem-se um cenário pesado, velho, atrasado e muito infeliz. Isso diz respeito aos anos 85 da era cristã. O evangelista Mateus sabia que sua comunidade precisava sofrer uma profunda conversão, o método precisava ser revisado, a forma necessitava ser refinada, a fim de que a conversão pudesse acontecer.

Para isto, o evangelista reuniu “ditos” proferidos por Jesus e os compilou em modo de discursos. Quem sabe assim, aquela velha comunidade não seria rejuvenescida? As velhas atitudes não ganhariam  jovialidade espiritual? Os preceitos legalistas não seriam transformados em ferramentas de caridade e fraternidade?

A presente narrativa evangélica está cercada de gestos, palavras e símbolos de Jesus. Ele, semelhante a um mestre maduro, senta e o faz para ensinar, não apenas com as palavras, mas, e sobretudo, com a própria vida. Afinal, do mesmo modo que no passado Moisés sentara para orientar os israelitas, agora, é Jesus quem o faz e não leciona baseado em tradições do passado, antes, em nome próprio: “Em verdade, em verdade eu vos digo…”.

Mas, o que Jesus disse e continua a dizer? Certamente, muitos foram os ditos e as palavras de Jesus. Um exemplo, sem dúvida, é a famosa máxima: “Bem-aventurados…”. Ora, o que isso significa? Melhor significado para traduzir essa bela expressão é: “Felizes!”. Sim, felizes sois vós os aflitos, porque serão consolados; felizes os mansos, porque possuirão a terra; felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados; felizes os puros de coração, porque verão a Deus.

Entretanto, o que significa ser feliz, para Jesus? Caso hoje fosse possível olhar em seus divinos olhos e perguntar-lhe, certamente Ele nos responderia com um sorriso nos lábios: “Ser feliz é ter a capacidade de tornar os outros felizes. É feliz aquele que, em Deus, se põe no caminho do outro para construí-lo, alegrá-lo, amá-lo e jamais diminuí-lo. Ora, este é o caminho que conduz à verdadeira santidade”.

O Santo não é o pronto, o perfeito, o perfilado, tampouco o ritualista ou “certinho”. O santo é aquele que, mesmo vivendo em meio às finitudes deste mundo que passa, é capaz de semear gotas de esperança e de alegria na vida dos demais.

Sim, hoje, na Igreja do Brasil, celebra-se o Dia de Todos os Santos e Santas de Deus. Atualmente, temos uma multidão de homens e mulheres que rezam, porém a Igreja precisa de profetas e profetisas que sejam capazes de fazer da própria vida uma perene escola de oração. Temos uma boa participação nos sacramentos, mas a Igreja necessita de discípulos e discípulas que sejam capazes de serem sinais sacramentais em seus prolongados dias. Temos uma multidão de fiéis batizados e que afirmam ser alegres e que buscam a felicidade, mas carecemos de humanos que encontrem sua razão de viver, na medida em que fazem os outros se encontrarem.

Nesta liturgia, quem dera abríssemos o coração e com ele os espaços escondidos, onde guardamos nossos sonhos e, em comunidade, pedíssemos a Deus: Senhor, dai-nos a graça de sermos semelhantes a Jesus, no olhar, no falar e, sobretudo, no agir. Dai-nos a graça de sermos santos.

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