Homilia: O Lugar da Família! (Lc 2,41-52)

Amados irmãos e irmãs, hoje, celebra-se na liturgia a Festa da Sagrada Família. Há, na narrativa evangélica, uma cena profunda, singular e única, por conter em si um aceno teológico tão atual e vivo, capaz de ser o centro do relato lucano. Ei-lo: “Por que Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?”.

Aparentemente, uma palavra dura, talvez, malcriada, colocada na hora errada e num momento impróprio. Contudo, se pensada no todo da Obra evangélica de Lucas, este dito, proferido por parte de Jesus, tem força e tom de salvação. Pois, a partir de então, todos, exatamente todos, deviam estar cientes de que: a missão de Jesus consiste em ouvir o seu Pai. O caminho que Ele percorrerá, os feitos que realizará e as maravilhas que presidirá, tudo só terá sentido por causa do Pai. O Pai quis que assim fosse!

Além do mais, estabelece-se, mais e mais, a verdade de que a família não deve ser um lugar fechado, travado, ensimesmado só, e somente só, no quântico de seus membros. Senão, a família precisa ser aberta, estando sempre em saída, olhando mais para o outro e vendo-o como obra única e singular, cujo arquiteto é o Pai do céu.

Assim, com apenas 12 anos de idade, Jesus ensina, não apenas à mãe Maria e ao pai José, mas, e, sobretudo, aos doutos e entendidos de Israel que: no Reino de seu Pai, os valores sofrem posição de lugar, os conceitos podem ser revisados, os ritos corrigidos, os costumes transformados e o método inovado.

Conforme a Legislação vigente em Ex 23, todos os homens de Israel precisavam ir a Jerusalém, ao menos por ocasião de três grandes Festas: Páscoa, Pentecostes e Cabana. E este ritual deveria ser iniciado quando o menino atingisse a idade de 13 anos. O evangelista Lucas narra que, naquela circunstância, Jesus tinha apenas 12 anos. Isto indica a sensibilidade e a inquietação que habitavam neste coração jovem, porém sábio, maduro e senhor de si.

Por outro lado, a narrativa, de modo brilhante, também demonstra que Jesus não tinha dificuldade em obedecer a seus pais terrenos: Maria e José. “Jesus desceu, então, com eles para Nazaré e era-lhes submisso em tudo”. Disto resulta a certeza profunda que Jesus é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Pois, sabe executar maduramente tudo na hora precisa, no momento exato e na ocasião adequada.

E aqui está o meio-termo que nossas famílias precisam encontrar para se realizarem vocacionalmente. O que seria dos nossos lares se os filhos ocupassem o lugar que é próprio do pai e da mãe? E o que seria do bem-estar natural dos filhos, se estes fossem constantemente sufocados pelos pais?

Que tal se aproveitássemos esta liturgia eucarística e pedíssemos a Deus que nos conceda o justo equilíbrio em nossas relações familiares? Que nos conceda sempre o dom do perdão, da tolerância e, sobretudo, da paz?

Que tal se ensinássemos aos nossos que viver é preparar-se para o céu, onde teremos uma família infinitamente maior e melhor, cujo anfitrião será Deus, e onde a nova casa terá como alicerce o amor, a segurança, a fé e a paz, objetivos de todos?

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