Homilia: O Bom Pastor!  (Jo 10, 11 – 18)

 

O quarto domingo da Páscoa é dedicado à catequese do “Bom Pastor”, imagem que não foi inventada pelo autor do quarto evangelho. Literariamente falando, esse discurso simbólico está construído com elementos provenientes do Antigo Testamento. Em especial, esse discurso tem presente Ezequiel 34.

Quando o evangelista chama Jesus de “Bom Pastor”, o adjetivo “bom” deve ser entendido no sentido de modelo e de ideal. O que significa ser um pastor modelo? É aquele que é capaz de se entregar, para dar a vida a suas ovelhas. Por ser bom, Ele não olha o exterior; antes, preocupa-se em conhecer cada qual a partir de dentro. Não se preocupa com a lógica interesseira, consumista, estável e estreita. Pois, o “Bom Pastor” quer apenas modelar cada um, a fim de que todos tenham acesso à fraternidade na comunidade.

Já o pastor mercenário “é o contratado por dinheiro”. Este, logo, apega-se ao exterior, às estruturas e não é capaz de formar o rebanho, porque lhe falta amor. Como funcionário do sagrado, limita-se a cumprir apenar o seu contrato, fugindo de tudo aquilo que pode colocar em perigo ele próprio e os seus interesses pessoais. Tudo faz baseado em remunerações e interesses.

Jesus sempre foi considerado o “Bom Pastor”, pois o que O movia era a felicidade dos outros. Para ele, importava pregar o Reino e deixar saudades por onde passava. Sabia que era cidadão de uma história sofrida, com alto índice de maus pastores, e, por isso mesmo, Ele preferiu ser tão bom como Deus é bom.

Assim, os gestos, as palavras, a presença e a vida de Jesus tornaram-se, para a região da Palestina, um dom. Todos os dias, Ele presenciava sacerdotes da antiga aliança e numerosos religiosos brigarem por taxas e ofertas, enquanto Ele semeava o Reino. Assistia sempre uma espiritualidade estéril e uma liturgia desencarnada, enquanto Ele pregava a liturgia na vida e uma espiritualidade concreta. Jesus teve tudo para ser um pastor mercenário. Mercenários foram muitos políticos de sua época, religiosos, homens da lei e de classes menos e mais abastadas. Porém, resolveu nadar contra toda a correnteza, a fim de mostrar para Israel que podemos fazer diferença, isto é, podemos ser parecidos com o Pai, que é bom e que não desiste do ser humano.

Porém, quem é o pastor? Este não é apenas o líder politico e religioso, o pai, a mãe, o patrão, o chefe, o professor, o amigo, o irmão. Todos são pastores, e enquanto tal, todos precisam ser modelos. Cristo é o pastor por excelência, contudo, Ele não está fisicamente mais aqui e nos deixou uma missão. O seu desejo é que nos tornemos vozes, a fim de fazer ecoar, nas estruturas deste mundo, a Sua voz; mãos, a fim de sermos, nesta vida, as Suas mãos; pés, para que possamos ir aonde o Pai é esquecido, a fé é evitada e a irracionalidade é gritante.

Celebremos, fervorosamente, este domingo e, olhando para o Pastor por excelência, lembremo-nos do nosso compromisso de ser na vida pastores, e, portanto, modelos. Tal qual Israel, vivemos em um mundo que respira desigualdade e maldade. Mas, porque queremos ser anunciadores da missão de Jesus, introduziremos, em nossa vida, o que Ele sempre praticou: a semente da bondade!

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