Homilia: O Alcance da Epifania! (Mt 2, 1-12)

Hoje, celebra-se, em toda a Igreja, a Festa da Epifania do Senhor. A palavra Epifania significa manifestação. Por isso, nesta Festa litúrgica, a Igreja pretende fazer os fiéis entenderem, com profundidade, o modo e o processo pelo qual Deus, através de Jesus, tomou parte, plenamente, na história dos homens e mulheres.

O texto evangélico, dissertado por meio do evangelista Mateus, pretende ser, antes de tudo, uma catequese profunda, real e existencial acerca do Messianismo de Jesus. Não quer ser reportagem cronológica, tampouco quer calcular, milimetricamente, dados e fatos. Pretende ser um norte reflexivo seguro, capaz de fazer os cristãos, de sua geração, entenderem o quão certa é a missão de Jesus, missão esta que lhe fora reservada da parte do Pai.

Há, na narrativa textual, uma insistência sobre o local do Nascimento do Messias. Explicitamente, o texto insiste que Ele nasceu em Belém. Isso pode ser verificado nos versículos (1 / 5 / 6 / 7). Ora, mas o que levou o evangelista a seguir este esquema reflexivo? Certamente, a necessidade de fazer os cristãos de sua época entenderem a veracidade do Messianismo de Jesus. Este deveria provir da casa de Davi, do trono de Jessé. No entanto, ainda hoje, em exegese bíblica, fica a pergunta: onde nasceu Jesus? Em Belém ou em Nazaré?  Em todo caso, este não é o ponto cardeal da mensagem litúrgica da festa hodierna.

Antes, curioso mesmo é o símbolo da estrela, que foi capaz de conduzir homens vindos do Oriente, isto é, de terras distantes, a fim de trazerem presentes para o Menino que acabara de nascer. Ora, se Epifania é manifestação, então, seu apelo consiste no fato de abrir os olhos existenciais do nosso pobre eu interior, para perceber quão bela e perfeita é a criação! Porém, esta tende a perceber sua ordem e beleza, a partir do momento em que as criaturas perdem seu ponto cardeal.

Hoje, somos cercados por tantas luzes e flashes que perdemos a capacidade de olhar e contemplar as estrelas do firmamento. Talvez, porque não tenhamos mais tempo, ou, simplesmente, porque estas não nos chamam mais a atenção… Preferimos muito mais a luz tecnologizada à luz natural. Mais conveniente o brilho provindo da tela do celular à chama modesta de uma vela.

Outrora, bastou uma criança, repleta de inocência e transbordante de céu, para atrair homens e mulheres, dos quatro cantos da terra. E por quê? Porque a Luz só consegue brilhar em espaços humildes, simples e descomplicados. Ambientes carregados, volumosos e cheios, acabam não podendo oferecer lugar para Deus habitar.

De algum modo, a Epifania é a festa da Luz. Que luz os outros podem encontrar em mim? Qual a consistência do seu brilho? Por onde caminho, consigo iluminar? Alguém já foi atraído pela luz interior que emana do meu recôndito eu?

Participando dessa grandiosa Festa, faz-se necessário abrir o coração, a fim de deixar Deus menino entrar, habitar e crescer.

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