Homilia: Esperança e ânimo! (Mc 13, 24-32)

Para os especialistas no Evangelho de Marcos, muito provavelmente, essa narrativa diz respeito ao terceiro dia de Jesus em Jerusalém. No fim da tarde, já no Jardim das Oliveiras, Ele ensinou a quatro discípulos seus, inclusive os primeiros que foram chamados, conforme está escrito em Mc 1, 16-20, os dilemas que deveriam enfrentar todos os homens e mulheres que, na posteridade, abraçariam a causa do Reino de seu Pai.

Tais catástrofes não representam uma reportagem jornalística, tampouco querem nos amedrontar; antes, querem só, e somente só, nos deixar despertos nas atitudes do coração, e, sobretudo, querem provocar um exame de consciência acerca de nossa conduta de vida.

Jesus tinha consciência que sua hora se aproximava e, portanto, precisava voltar para o Pai. Entretanto, sabia que não seria uma missão fácil e prazerosa para seus discípulos darem continuidade a este trabalho missionário e evangélico. Pois, logo mais, tribulações apareceriam, tentações surgiriam, catástrofes se levantariam; e, nessas horas, o que deveriam fazer os cristãos? Estes deveriam estar repletos de alento, de esperança e de tranquilidade interior, confiantes de que Deus continuaria presente onde quer que estivessem.

Durante a história, diversos poderes se levantaram para calar e asfixiar os cristãos e a comunidade de Jesus, mas, nenhum deles durou por muito tempo. Todos caíram e drástico foi o seu fim. Hoje se encontram enterrados definitivamente nos escombros da história, sem direito algum de serem celebrados, rememorados e, tampouco, imitados.

As imagens usadas na dissertação da narrativa compõem o gênero literário apocalíptico. Este não quer causar apenas uma perplexidade barata frente aos cristãos. Nem tem pretensão de querer converter alguém pelo medo ou coagir pela força. Antes, quer injetar esperança, ânimo e tranquilidade interior, ainda que nossos dias sejam vividos num caos total e desumano.

Jesus sabia que as estruturas do velho e carcomido mundo, mais cedo ou mais tarde, desapareceriam, e, quando isto acontecesse, seus discípulos deveriam estar preparados, prontos, engravidados de alento, ânimo e paz. Pois somente assim, o Reino poderia estabelecer suas bases, fincar suas raízes e dar seus frutos. Porém, para varrer as estruturas do velho mundo, se fazia, e se faz, necessário estruturar e consertar as estruturas no mundo de cada eu humano.

Afinal de contas, esse é o objetivo primordial da liturgia celebrada dominicalmente: “Glorificar a Deus e revolucionar nosso próprio eu”, colocando, no terreno do coração, atitudes novas, retificando costumes errados, conduta estreita, hábitos irracionais, até que se chegue à estatura de Cristo, conforme deseja o Apóstolo Paulo.

Naquele tempo, usava-se muito a linguagem apocalíptica, composta por diversas simbologias, algumas de difícil entendimento e compreensão. A Missa também usa muitos símbolos, contudo, ao participar dela, todos podem entender seu recado e compreender sua linguagem: Deus, através de seu Espírito Santo, se dá todo inteiro em Jesus. Doação esta perceptível: na Palavra proclamada, no Pão transubstanciado e nos irmãos reunidos.

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