Homilia: Cristo é Rei! (Jo 18, 33b-37)

 

Caríssimos irmãos e irmãs, hoje se celebra, em toda Igreja, a Solenidade de Cristo Rei do Universo. Cristo é Rei, porém, em que consiste seu reinado? Quais suas bases? Como Ele pode falar sobre humildade e intitular-se Rei? Que filosofia costura seu governo e sua administração?

De fato, Cristo é Rei! Porém, enquanto os reis deste mundo se regozijam em mandar, coordenar e planejar para ganhar, ser aplaudido e projetado frente aos demais, Jesus de Nazaré é Rei que serve, auxilia e faz todo e qualquer ser humano entender que a beleza da vida se encontra mais no horizonte do serviço do que na fresta das ordens.

Em todas as suas andanças pela Palestina, e ao analisar seus discursos, não é possível encontrar, na boca de Jesus, autoafirmações, tais como: “Eu sou Deus” / “Me adorem” / “Eu sou mais importante”. Jamais! Porém, gostava muito de se apresentar como “Filho do Homem”. E, a única vez que permitiu ser chamado de Senhor e Mestre, a ponto de concordar com isso, foi exatamente no momento do lava-pés. E por quê? Certamente, porque aprendeu, logo cedo, que a maturidade de um ser humano se mede, muito mais no servir, do que no ordenar. Muito mais no fazer, do que no mandar.

Hoje, ao olhar para a maior figura política que representava o Império Romano, Pôncio Pilatos, e afirmar: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui.”, Jesus clarifica e explica suas origens, seus sonhos e seu maior desejo: tornar este mundo, casa comum, lugar de irmãos, onde a fraternidade vença o carreirismo, o amor elimine o veneno do ódio, o diálogo conduza os projetos e norteie os planos.

Jesus nasceu, cresceu e viveu na Palestina. Lá, construiu amizades e aprofundou laços. Certamente não teve oportunidade de receber uma brilhante formação rabínica, como tiveram os sacerdotes de sua época, tampouco o conhecimento clássico dos embaixadores romanos. Mas, Jesus de Nazaré, logo cedo, se tornou perito em humanidade. Por que seus atos discretos, singelos e simples revolucionaram tanto e a muitos incomodaram? Porque Jesus aprendeu que no ato de reinar, de governar e administrar não basta ver o outro; é preciso olhá-lo; não basta fazer; é preciso pôr amor no que é feito; ajudar alguém é social, mas amar o outro é cristão.

Ao que nos parece, viver é abraçar a coluna do reinado de Cristo. Quem adere ao seu projeto, aderiu ao projeto do Pai. Alguém que se convenceu sobre isso, não sobrevive, mas vive os dias de sua vida como dom e graça. Ao pôr a cabeça no travesseiro, dorme e o faz não por achar que é o melhor, senão por saber que fez o que deveria ter sido feito. Afinal de contas, o sono, geralmente, vai embora de corações preocupados com o poder, com o acúmulo e com o próprio sucesso, sempre em detrimento do rebaixamento e queda alheia.

Herodes inquietou-se quando ouviu falar sobre o ainda Menino Jesus. Anás, que não era chefe dos Sumos Sacerdotes, foi chamado só para interrogá-lo. Pilatos ficou incomodado com seu silêncio e autonomia. Estes personagens tinham tudo, exceto liberdade interior.

Que tal, se hoje, celebrando esta festa, renovássemos nosso coração e nossa mente e pedíssemos a Jesus a graça de aderirmos ao seu Projeto de governo e de reinado?

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