Homilia: A Beleza do Reino! (Mc 1, 14-20)

O que significa este versículo: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo, convertei-vos e crede no Evangelho”? Depois de renomadas teses, todas de cunho exegético-teológico, estudiosos chegaram à conclusão de que o “Reino de Deus” é o coração da mensagem de Jesus e a paixão que alentava toda a sua vida.

O interessante é que Ele nunca explicou em que consistia o Reino de Deus. Apenas o ilustrava com parábolas inesquecíveis, magníficas e muito concretas, cujo conteúdo tratava sempre sobre como Deus age e como seria a vida se as pessoas agissem como Deus. Jesus acreditava nesse ideal. Caso perguntássemos qual seria seu maior sonho, certamente Ele responderia: implantar, na fria e abandonada Galileia, o Reino do meu Pai. Isso porque para Jesus, o “Reino de Deus” é a vida tal qual Deus quer construir.

E, por isso, Ele ousava caminhar, quer seja em meio à indiferença pagã que reinava na Galileia, quer seja em meio ao conformismo de uma vida religiosa estéril e hipócrita, que subsistia no Templo. De um lado, os pagãos eram massacrados e descartados pela velha e tonteante Teodiceia Judaica, que olhava a letra em detrimento da pessoa. Por outro, sentia o fim aproximar-se daqueles que viviam uma vida coberta pela santidade e formosura do Templo, mas feia e pacata no coração.

Enquanto isso acontecia nos capítulos da história da satrapia da Palestina, Jesus levava dentro de si um fogo que queimava sem arder. Queria urgentemente instaurar, naquela velha e decadente estrutura, o reino do seu Pai. Jesus sabia perfeitamente que se Deus governasse a vida no Império, ao invés de Tibério, as coisas iriam melhor. Se os homens seguissem o Pai e não Antipas, que buscava poder e honra, os pobres seriam dignificados, os últimos seriam os primeiros a serem lembrados, os camponeses valorizados e a comunhão teria, já aqui e agora, seu impulso inicial.

E, como para Jesus, implantar o Reino não é um sonho definitivamente enterrado nos escombros da história, mas um anseio que continua vivo e a todo vapor, Ele chamou, chama e continuará chamando homens e mulheres para a Messe. Uns O encontrarão nas margens, enquanto vivem sua desolada e pacata vida; outros O descobrirão diante dos altares, num recôndito ato de silenciar a alma; alguns poucos O verão nos simples e sem crédito; reiterados chamados preferirão percebê-Lo na pomposidade litúrgica celebrativa. O que importa é que O percebamos e que O encontremos e façamos da Sua a nossa Proposta: instaurar o Reino do Pai aqui e agora!

Isso verdadeiramente acontecerá quando entendermos que converter-se é, antes de tudo, rever para mudar a própria mentalidade. Isto significa que precisamos revisitar-nos constantemente, trabalhando em nós os medos, as fagulhas de irracionalidade que sempre se levantam e, sobretudo, o egoísmo, que reiteradas vezes ganha créditos infinitos em nossa vida.

É Ele quem chama, quem convoca, quem reúne, quem convida e congrega, porque é Dele a iniciativa de caminhar, nas esquinas do nosso eu galilaíco ou templário. Sigamo-Lo, o quanto antes; caso contrário, Ele passará e o que será de nós, se O perdermos de vista?

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