Homilia: Gestos também são palavras! (Mc 1, 29-39)


A exegese moderna inaugurou, com prontidão e esmero, uma ferramenta até então esquecida no passado. Muito preocupada em estudar a profundidade das palavras proferidas por Jesus, diversas vezes acabava esquecendo de perceber seus gestos e como estes faziam parte da sua singular personalidade.

Hoje, quando entramos no coração de um texto bíblico, inclusive do ponto de vista exegético, devemos abarcar ao máximo tudo o que ele tem para nos oferecer. Observemos bem a literatura que se desponta diante de nossos olhos!

Jesus, tendo sabido da enfermidade da sogra de Pedro, aproximou-se, tomou-a pela mão e levantou-a; e, depois, curou também diversas pessoas. Em outra situação, Ele “tocou os discípulos caídos por terra para devolver-lhes a confiança: ‘Levantai-vos, não temais’”. E ainda, “quando Pedro começa a afundar, estende-lhe a mão, o agarra e lhe diz: ‘Homem de pouca fé, por que duvidaste?’”.

E o que significa tudo isto? Jesus é, muitas vezes, mão que levanta, infunde força e põe a pessoa de pé. Assim foi Jesus, alguém apaixonado pela vida humana: ora “agarrava” o enfermo, para que ele não caísse, ora “impunha” as mãos, a fim de que recebesse a bênção, ora simplesmente “tocava” os leprosos, num gesto de proximidade. O mesmo faz no interior da casa da sogra de Pedro: ali tornou-se “mão que Deus estende”, a fim de reunir os fracassados, restaurar os debilitados, reviver os mortos de coração.

Aqueles que percorrem, com sinceridade de coração, as páginas do Evangelho de Marcos, acabarão descobrindo que onde está Jesus cresce a vida, simplesmente porque Ele é apaixonado pela vida que temos e que do Pai recebemos.

É sabido que mesmo tendo curado a muitos, a doença, a dor e o sofrimento continuaram assolando a humanidade. Mas, de uma coisa podemos ter certeza: enquanto viveu fisicamente entre nós, Jesus não viveu inerte à dor e ao sofrimento humano. Ele verdadeiramente se importava com cada um. Não conseguia ver a massa, nem se encantava com multidões. Era perito em atender um por um, ver coração por coração, pois aprendera muito cedo que o amor, embora tenha a força de um vírus contagiante, só exerce seu poder se olhar, tocar, conviver, acompanhar o amado. Ainda que o propósito de amar não seja capaz curar e operar milagres, será ao menos capaz de aliviar a dor de quem entrou na viela do sofrimento e o sofrimento de quem peregrina nas esquinas da dor.

Neste Domingo, aprendemos com Jesus que um simples ato, feito com amor, pode cobrir uma seleta de orações, uma porção de sacrifícios e uma multidão de palavras. A sogra de Pedro só precisava ser tocada e levantada. Você já perguntou ao seu irmão, amigo, parente próximo, o que de fato ele mais precisa no momento?

Leave Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *