Família: lugar de idade, sabedoria e graça! (Lc 2, 22 – 40)


A cena evangélica que hoje nos é proposta, trabalha a figura da família. Com razão se diz hoje que a família é o primeiro lugar da evangelização e provavelmente o mais decisivo. Com efeito, é na família que a criança, mesmo muito pequenina respira ao vivo a fé ou a indiferença. Por aquilo que vê e vive, ela adverte se em sua casa e na vida há lugar para Deus ou não. Nota se a vida se projeta pensando só em si mesmo, ou também nos outros.

Educar bem os filhos, continua sendo a ferramenta mais certeira e decisiva para o descobrimento e realização de cada ser humano. Dito em outras palavras: em principio, os filhos veem e concebem o mundo, a Deus e aos outros, dependendo do modo como foram formados, polidos e educados no seio familiar.

Que significa este versículo: “entretanto, o Menino crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus”? Entendamos que o crescimento do lado humano de Jesus dependeu inteiramente da educação recebida pelos seus pais. A educação que Jesus recebera, era fruto de uma presença singela, centrada, sensível e afável por parte da mãe Maria, bem como, pela presença objetiva, coesa e profundamente simbólica por parte do pai José.

Como queremos que os nossos filhos cresçam convictos na fé, se esta convicção ainda não está totalmente fundamentada em nós? E como queremos que eles cresçam sensíveis aos outros e a Deus, se não percebem em nós uma vida repleta de testemunho e bons exemplos?

A mãe Maria e o pai José, constantemente esqueciam-se de si mesmos, viviam o itinerário da própria vida, lembrando apenas de Deus e do filho. Como nós administramos a missão recebida de educar os filhos? Em nossas casas a oração é um ato de grande recorrência? Rezamos antes de tomar os alimentos? Passamos a vida mais agradecendo ou mais reclamando? Maria tudo guardava no coração, José tudo guardava pela sua presença de ser. E nós, como guardamos os acontecimentos da nossa família?

A família instituição querida por Deus e projetada por Ele mesmo, encontra hoje forças adversas. Mas, jamais poderia perder de vista a singularidade sensível da figura feminina presente em Maria, a objetividade resoluta e firme presente em José tudo para ver os seus filhos crescerem em idade, sabedoria e graça. Três dimensões que abarcam a totalidade de uma vida bem formada.

Pela idade, isto é, pela multiplicação dos anos, temos a oportunidade de perceber que os filhos crescem numa rapidez imperceptível e neste fenômeno natural deveríamos observar a providencia divina, que ao criar não se afasta dos seus criados, mas os acompanha pelas estradas da vida. Pela sabedoria, deveríamos contemplar que aquela vida cresceu não apenas no aspecto quântico, mas cresceu também na dimensão da consciência, na somatória das experiências e, agora, bem treinado sabe que precisa dar passos guiado pela maturação do próprio eu. E pela graça somos chamados a perceber que um cristão não é apenas uma pessoa física, ou seja, um individuo a mais na sociedade, o cristão que cresce na multiplicidade dos anos e nas somas das experiências, é finalmente chamado a crescer num mundo da graça, e em si tratando de graça, cessa aqui o nosso esforço e o nosso projeto e abre-se o coração para acolher no micro cosmo humano, o macro cosmo mundo santificante da graça.

Oxalá, nossas famílias perseguissem esse caminho, trilhasse por essa vereda, logo mais nosso mundo estaria repleto de incalculáveis graças e nossas cidades seriam povoadas por famílias muito semelhantes a família de Nazaré.

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