Homilia: Estórias Imortais! ( Lc 15,1-32)



São três as grandes estórias, contadas com tanto amor e esmero, que na sua simplicidade de ser se imortalizaram no decorrer dos tempos, mostrando qual é a real lógica de Deus e porque esta é tão diferente da nossa lógica de ser.

O que significa a história da ovelha perdida? Qual seu real sentido? Num mundo tão capitalista, onde tudo gira em torno da máquina e do ganho, quem, em sã consciência, estaria disposto a abandonar noventa e nove ovelhas e lançar-se à procura de uma que se perdeu? Fato inusitado, incoerente aos olhos dos grandes economistas, contraditório na visão dos matemáticos, fatal para os acionistas.

E o que falar do segundo conto catequético? A preocupação de uma mulher que está disposta a pôr a casa de ponta-cabeça, a fim de encontrar uma insignificante moeda perdida em um dos cômodos do próprio lar. Ora, se na filosofia do capital, tempo é dinheiro, mais valioso seria, ao invés de aplicar o tempo à procura da moeda, aplicá-lo em um projeto promissor, em um investimento de futuro, que gerasse bons rendimentos. Afinal de contas, não se deve perder tempo com coisas fúteis, pequenas, nem tampouco com gestos simples, pois tais atitudes não levam a nada.

E por fim, a numinosa passagem do filho perdido. Aqui, Deus foi apresentado pela boca de Jesus como um Pai altamente apaixonado, sem reservas no Perdão, na Complacência e no Amor. Ele (Deus) continua esperando o filho voltar; aconteça o que acontecer. Não perde tempo em ouvir suas desculpas, seus lamentos e pecados, apenas o acolhe.

Mas, por que Deus consegue agir assim? Certamente, porque em Deus ter algum substitui o ser, norma alguma tem presciência fundamental sobre o coração humano que anseia retornar à Casa do Pai, mandamento algum pode sufocar o velocímetro do seu ágil amor por nós.

O Pai é o único Bom nessa grande história, e, por isso, nem as travessuras espinhosas e desumanas do mais moço, nem o egoísmo azedo e mortal do mais velho, nem tampouco a ironia dos seus ouvintes foram capazes de diminuir ou retardar a fecundidade do Amor e da Misericórdia do Pai.

Só quem ama, de modo tão livre e misericordioso como o Pai, consegue entender: é possível, sim, continuar se alegrando com a moeda encontrada, com a ovelha perdida, com o filho vivo; porque, para Deus, o valor é intrínseco à pessoa, para além das suas opções pessoais e religiosas.

Jesus entendeu que, em se tratando de humanos, só acertaríamos, de fato, caso fôssemos personalistas do jeito do Pai, pois, como fazer os homens e as mulheres, de todos os tempos, entenderem que: hipocrisia não educa, nem forma? Que personagens passam, poetas e doutos também? E que fica o ser humano, que aprendeu a ser do jeito do Pai: Simples, Amoroso e Misericordioso?

Pe. Ancelmo Dantas – Coord. da Feira Vocacional / Pastoral Vocacional