Homilia: Epifania, festa da luz! (Mt 2, 1-12)

 


Amados irmãos e irmãs, encontramo-nos diante de um texto evangélico caro, singelo e muito provocante. Pois Jesus, “o rei dos judeus” não foi reconhecido por aqueles que tinham nas mãos a palavra de Deus e que sabiam ler as escrituras, mas foi reconhecido e adorado por homens pagãos, embora atentos e dóceis aos sinais de Deus e do seu amor.

Quem foram esses homens? A tradição os chamou como magos, expressão grega que abarca um vasto leque de significados e é aplicada a personagens diversos: mágicos, feiticeiros, charlatães, sacerdotes persas e propagandistas religiosos. Aqui, poderia designar astrólogos mesopotâmicos que queriam ter contato com o messianismo judaico.

Do ponto de vista histórico, muito provavelmente este pequeno relato evangélico deixe muito a desejar, mas o que ocasionalmente este texto perde em história, muito provavelmente ganhe em catequese e em teologia. Seja como for, esses magos representam, na catequese de Mateus, povos estrangeiros que se põem a caminho de Jerusalém com as suas riquezas, a fim de encontrar a luz salvadora de Deus, que brilha sobre a cidade santa.

Para o evangelista Mateus, essa “luz” que brilha nos porões escuros de Jerusalém é Jesus que nasce e, lamentavelmente, não foi bem recebido pelo seu povo, mas por estrangeiros.

O texto, do seu início à sua conclusão, é incisivo quanto à estrela, o que significa que este dado é uma espécie de elemento central na literatura. Em primeiro lugar, essa estrela é Jesus, luz que ilumina e aquece, independente da distância, do credo, das opções e do projeto de vida. Ora, é próprio de uma estrela brilhar e tanto mais ela brilha, quanto mais ela se realiza no exercício da sua vocação. Ele, Jesus, filho de Deus, estrela primeira que veio a este mundo para iluminar corações escuros, reanimar projetos inconclusos e aquecer decisões frias.

Mas, em segundo lugar, a estrela representa aqueles que se deixam contagiar pelo brilho da primeira estrela. Na escritura, infelizmente, foram reis do estrangeiro, sendo que deveriam ter sido, prioritariamente, os judeus. Entretanto, celebrando essa liturgia, nós, batizados e coerdeiros do Reino, portanto convidados da última hora, somos a segunda estrela. Ou seja, todas as vezes que acolhemos Jesus e sua Palavra, estrela primeira, temos a obrigação moral de nos tornar estrelas também, a fim de difundir, por onde quer que passemos, este brilho que não cessa, não envelhece e nem morre. Isto significa celebrar a festa da Epifania do Senhor.

Caso nós não aceitemos este convite, Deus, que é fiel, haverá de romper barreiras, quebrar portões, derrubar portas, atravessar oceanos, romper culturas e costumes, tudo para convidar homens e mulheres a fim de que sejam suas estrelas.

Uma vida que não ilumina é uma vida morta. Do mesmo modo que a estrela nasceu para brilhar no alto do firmamento, nós também nascemos para brilhar no ato de viver a vida. E brilharemos todas as vezes que formos capazes de: servir, perdoar, amar e sentir como Jesus.

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