Domingo de Pentecostes! (Jo 20, 9-23)

 

Há, no Evangelho da Festa de hoje, imagens fecundas que servirão de base para nossa reflexão. Pois, celebramos em toda Igreja, a Festa de Pentecostes, também conhecida como Festa do Paráclito, Advogado, Defensor, Pai dos Pobres. Celebramos, portanto, a “Memória” da terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

Ao anoitecer, o que para a Catequese do IV Evangelho indica, sem dúvida, momento de penumbra; ao anoitecer, para a Teologia Joanina, é muito mais que o escuro metodológico, que todos os dias nos visita, sempre depois do pôr do sol. É o escuro da alma, é o titubeio de um coração crente, que acabara de perder o leme, o foco, a meta e a direção. Diz respeito à sensação de sentirmo-nos sós, abandonados, levados pela superficialidade do vazio e conduzidos pelo absurdo do nada.

As Portas Fechadas representam muito mais que um trancar-se fisicamente, através de portas, portões e fechaduras. Antes, trata-se do fechamento interior, da incapacidade de ver saídas, da falta de ânimo gerado pela fagulha promissora da Esperança que nos fora derramada e que, por ora, fora perdida. Fechar as portas é a vontade determinada de abraçar o ensimesmamento, nele viver, a ele apegar-se, tendo-o como absoluto e verdadeiro.

O Medo, não enquanto ferramenta natural, que visita o interior humano no ordinário da vida. Pelo contrário, medo enquanto subserviência do Bem ao mal, da proposta de Jesus à propaganda imperialista mundana. Medo, como uma espécie de espanto da alma, que faz cristãos perderem o sentido, cobrirem-se com o manto do caos, informe e sem vida. Este, que até certo ponto é entendível, não era o existente no coração dos discípulos; o medo da Igreja nascente era de ordem metafísica, espiritual.

Eis o cenário daquela pequenina Comunidade! E quando tudo parecia estar perdido, o Pai, através do Filho, envia até estes tíbios corações, o seu Espírito de Amor.

Mas, o que é o Espírito Santo para a Igreja? É uma Pessoa! Esta certeza, que nos foi trazida por Jesus, precisa estar acima de qualquer reflexão. Ele é um das três Pessoas em que cremos e verdadeiramente depositamos nossa fé.

Quem, no itinerário da nossa existência, poderia reunir os dispersos, aquecer os frios, encorajar os desanimados, alentar os fracassados, socorrer os pobres, defender as viúvas, fazer sair os que se renderam à prisão existencial, que definha as decisões, afeta os porões da fé e atrofia a dinâmica da Palavra proclamada, celebrada e sacramentalizada?

Quem poderia, no Plano de Deus, levantar Jesus da poeira da morte, fazendo-O assentar-se à direita do Pai, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos? Quem, ainda hoje, no compasso da vida concreta, coberta por seus desafios e desalentos, poderia nos fazer ver no outro o rosto do Filho de Deus? Quem poderia nos fazer perdoar uma ferida cujas marcas, muitas vezes, deveremos carregar por todo o sempre?

Somente o Espírito Santo de Deus pode realizar tais maravilhas no coração da Igreja. Portanto, peçamos com Fé viva e coração aberto à sua presença luminosa em nosso meio: “Vinde Espírito Santo…”.

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