Diferentes, mas Iguais! (Jo 20,1-9)

Encontramo-nos diante de um texto essencialmente cristão. Pois, aqui descobrimos o que temos de mais caro, dentro da nossa eclesiologia: a madura diversidade, em busca da terna unidade.Textualmente, foram-nos apresentados personagens, tais como: “Maria Madalena, Pedro e Thiago”. A primeira vai, apressadamente, de madrugada, visitar o túmulo e vê a pedra removida. Isto fez com que ela voltasse, ligeiramente, para avisar os dois. João, ao chegar, inclinou-se e viu as faixas no chão. Pedro chegou, entrou no túmulo e observou o mesmo.

Que catequese esta imagem quer nos deixar? A verdade de que a Igreja, na busca pelos sinais do Ressuscitado, é una, mas, o modo como entendemos é profundamente diverso. Foram três os olhares, três as testemunhas, mas três conclusões diversas! Somos um na busca, porém, distintos na mentalidade que nos faz buscar!

Nesta cena, como não lembrar da afetuosidade de Madalena ao olhar os panos caídos e a pedra removida? Como esquecer a intuição do jovem João, acrescida à sua pressa e vontade de encontrar o Perdido? Como descartar a sólida lentidão de Pedro, tanto para chegar ao local, quanto para dar veredicto ao fato?

Distintos carismas, diferentes pessoas, fruto de chamados diversos, mas um mesmo Senhor e Deus! Todos são Igreja, pertencem a ela, tal qual os anéis pertencem à catraca que move a bicicleta!

Nos personagens dissertados, podemos presenciar o maduro modo de colaboração na construção da diversidade: “Cada um comunica ao outro o pouco que viu e juntos reconstroem a orientação da existência cristã”. Nisto encontramos a razão de ser e pertencer à Igreja!

Esta não é propriedade de um carisma único e consumado; não é minha, nem tampouco da minha pastoral; não somos os únicos convidados a entrar no túmulo da observância quaresmal e pascal, para contemplar o Mistério absoluto e escondido! A Igreja também pertence aos lentos e duros (Pedro), aos afetuosos e sensíveis (Maria Madalena), aos intuitivos, apressados e aquecidos (João). Neste contexto, Jesus foi, pelo Pai e pelo Espírito Santo, ressuscitado!

A ressurreição Nele se deu não para se imortalizar no mundo da poesia, da filosofia, da política ou das religiões. Mas, para dizer aos crentes, de todas as épocas, que uma vida pode ser tranquilamente cristã, mesmo em contraste; que quem não suporta lidar com o diverso não está apto a peregrinar rumo ao mistério; que o céu não é essencialmente propriedade católica romana.

Ele foi ressuscitado para ratificar ao mundo sua divindade, escolhida desde sempre. Chegará a este patamar, por participação, quem não tiver medo de dar as mãos ao outro, de conviver com o estrangeiro, de rezar com o hindu, rir com o evangélico, abraçar o ateu. Pois, se diferentes somos nós dentro de uma mesma profissão, quanto mais não permitirá Deus abraçarmos a diferença dos diferentes!

Jesus foi, mas ficou através dos sacramentos, da caridade e, sobretudo, da Palavra: “Pai, que todos sejam um!”.

Padre Ancelmo Santos Dantas – Coord da Feira Vocacional