Homilia: Batismo, fonte da Graça e da Bênção! (Mc 1,7-11)

O jogo parece estar invertido, pois, muito cedo, aprendemos que o menor geralmente acorre ao maior, e o menos forte e menos poderoso é quem acorre ao mais forte. Aqui, ao contrário, foi o Maior quem procurou o menor, foi o Santo, por excelência, o Justo e Reto, embora visivelmente manifesto nas vestes de servo, quem procurou pelo pecador.

O que significa a procura de Jesus por João? Essa atitude simboliza a força dadivosa do Amor. Quando se ama, colocam-se em segundo plano os títulos, os ritos e até as credenciais, só e somente só, para entrar na vida daqueles que carecem da visita primordial do Amor.

Quem é este que vem? Eis a pergunta fundamental que o evangelista Marcos tentou responder em seu relato. Jesus, o mais forte, é Aquele que vem na fraqueza e, pelo amor, torna-se próximo de quantos queiram ser embebidos pelas águas generosas da sua graça. Pois, enquanto as águas são derramadas e tocam as cabeças de quantos queiram receber a filiação adotiva, o Espírito de Deus toca no mais profundo do coração.

Que águas são essas em que devemos nos lavar? No texto, as águas do Jordão, palco de grandes revelações, rio cheio de memórias da história de Israel. Lá, Deus abriu os céus. Na vida atual, devemos ser lavados em toda e qualquer água límpida que, uma vez sacramentada pela Palavra e pela imposição das mãos ordenadas, tornam-se engravidadas do Espírito de Jesus. Disto resulta a importância de sermos batizados e porque devemos batizar sempre.

Por que, numa cena como esta, temos a presença de tantas realidades apocalípticas? Ora, afinal de contas, o objetivo do Mestre não era muito simples? De fato, o sonho de Jesus era o que todos os homens, banhados pelas águas da vida duradoura, voltassem para a casa do Pai. E por que a presença de ferramentas tão intimidantes? Seria para atestar a bravura de João, profeta da justiça divina e da moral ilibada? Certamente, não!

A presença de elementos tão extraordinários, tais como: os céus que se abrem / o Espírito que desce como pomba / a Voz provinda do céu, representa a força renovadora de Deus, que se manifesta na extrema humildade e solidariedade com os mais afastados, num serviço de amor gratuito, exatamente com aqueles que nada têm para pagar.

Jesus fez isso conosco, E nós, o que fazemos com nosso eu batismal? Fechamo-nos? Ensimesmamo-nos? Lacramo-nos, construindo, em torno de nosso eu, uma falsa ideia cristã, de que o céu é uma conquista a ser feita entre nós e Deus, e mais ninguém?

Celebrando o Batismo de Jesus, que se tornou tudo para todos, revisemos nossa consciência, e nela nosso Batismo. Pois, com Jesus aprendemos que o Batismo é saída, caminho, missão. Ninguém deveria ser alimentado para depois tomar banho; antes, deveríamos ser banhados e só depois alimentados, para continuarmos a caminhada.

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