Assunção é Vida! (Lc 1,39-56)


Amados irmãos e irmãs, celebramos em toda Igreja a Festa grandiosa da Assunção de Maria ao Céu. Somos colocados diante de um texto historicamente incerto, pois os exegetas o têm como um simples enredo narrativo, os teólogos o concebem como uma catequese tardia e os pastoralistas, como um manual de pastoral a ser desenvolvido para o povo simples.

Sem desacreditar das argumentações supracitadas, para nós, este texto representa o bonito movimento de saber que Aquela, que caminhou nas terras escaldantes da Judeia, carregando no ventre o Salvador, agora, pelo Mistério da Festa celebrada, é levada pelo seu Filho Ressuscitado ao mundo do Pai.

Sim, eis a consistência da Assunção! Afinal de contas, não poderia ser diferente: Aquela que passou a vida inteira deixando-se moldar, tal qual um tecido nas mãos de seu artesão, mereceu, através da Paixão e Ressurreição do Senhor, ser elevada, introduzida, coroada e aceita como Mãe e Rainha.

Tal movimento foi possível porque Maria soube conjugar o sofrimento diário da sua vida terrestre com os ideais trazidos na memória do coração. A Maria coroada não se difere da Maria das mãos calosas. A Maria assunta não é diversa, nas opções e decisões, da Maria de Nazaré, porque, com Jesus, descobrimos que quando se ama do jeito de Deus se entende que terra não é uma realidade completamente antagônica ao céu, que corpo não é inimigo da alma, mas que realidades distintas podem, pela força do Amor, se conjugar.

Daí entende-se que ao rezar não o fazemos teologicamente a Maria, pois ela também foi Assunta por Cristo, com Cristo e em Cristo. Mas rezamos por Maria, com Maria e como Maria, tendo olhos fixos no Mistério Central da nossa fé: a Santíssima Trindade!

Escolhida foi, porque nunca teve medo de se entregar àquilo que acreditava; vocacionada tornou-se, porque sabia que Deus era muito mais que um Senhor mandatário, bravo e castigador; eleita foi, porque nunca acreditou na ideia de que o sucesso da alma proviesse dos fechados e grandes, mas dos simples e abertos; a coroa recebeu, porque nunca fugiu do feixe de lenhas da vida simples e concreta que vivia.

Eis Maria, a pequena moça do Oriente Médio que se tornou tão falada, tão suplicada e tão querida, a ponto de ser mais pronunciada e lembrada que os grandes mitos da História. E por quê? Simplesmente porque se deixou ser amada pelo Pai. Foi o Amor do Pai que revolucionou a vida da pequenina Filha de Sião, que elevou a menina, tornando-a Mulher e Mãe, Assunta, porque Serva; iluminada, porque lâmpada foi para todas as pessoas com quem se encontrou.

Maria Assunta ao céu, mais que um mito, mais que um conto, mais que uma novela, uma pessoa: aberta, simples, desprovida de recursos, mas cheia de Amor no coração!

Pe. Zezinho, encantado pela força simbólica que esta Mulher tem em si, tentando atribuir-lhe predicados de todos os modos e maneiras possíveis, percebeu que nada a definia melhor, nada a adjetivava com mais propriedade do que: “Ela é simplesmente a nossa Maria de Nazaré!”.

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