As Comunidades Cristãs! (Mt 18,15-20)


Encontramo-nos diante de um texto evangélico sem muitas farturas teológicas, porém, fecundo no ensinamento da vida prática e, sobretudo, na lida fraterna com os irmãos. O enunciado, de modo simples, mas coeso e claro, traz à tona um problema, que não ficou no passado, mas que permanece no presente, e, certamente será tema no futuro, também.

Assim como em nossas comunidades, havia na comunidade de Mateus irmãos de muitas categorias. Uns eram dados à superioridade e, portanto, consideravam-se bem mais que os outros. Estes eram tidos como eleitos, iluminados, escolhidos. Dentro de si, o único sentimento capaz de alimentá-los era: sem nós, a comunidade degringola, envelhece, cai e morre.

Outros pertenciam à categoria do moralismo, e, para estes, a religião, enquanto crença, nada mais era que a capacidade de decorar normais, chavões, preceitos e rubricas. E quanto mais cada ferramenta era interiorizada, eles acreditavam estar acertando o alvo, alcançando a meta e cumprindo o objetivo.

Outros, lamentavelmente, enveredaram pela via do escândalo e do contra testemunho, levando uma vida só, e somente só, pautada nas aparências, na exterioridade e no supérfluo. Mas, enquanto a aparência ganhava em beleza e vida, o interior recebia a paga da morte eterna, do vazio e da falta de sentido.

Os evangelistas, percebendo problemas como estes em suas comunidades cristãs, e, certos de que precisavam fazer alguma coisa, procuravam logo se agarrar num dito proferido por Jesus.

Para Mateus, o dito a ser ecoado eternamente em sua comunidade, a ponto de se tornar um lema, foi: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei ali no meio deles”. Para Marcos, era preciso tatuar a velha e intransferível pergunta: “Quem é Jesus?”. Para Lucas, o dito a ser dogmatizado era: “E olhando para aquele pobre ladrão, como fizera com a pecadora, com o jovem rico, com o caído à beira do caminho, com as pias mulheres que choravam, HOJE estarás comigo no paraíso”. E, enfim, para o quarto e último evangelho a ser escrito, nada mais interessante seria do que: “Permanecei em Mim, como eu permaneço no Pai”.

Ora, o que significa essa diversidade de conteúdo? Significa dizer que, já no primeiro século, as comunidades tinham seus problemas, sua lacunas, suas crises, todas elas de cunho diverso, e a fé precisava apresentar propostas, abrir caminhos, dar soluções educativas, guiando o “Povo de Deus”, rumo à plena realização do Reino.

Tais acontecimentos continuam a existir hoje. Uns encontram esses problemas em nossas comunidades e resolvem abraçar o pessimismo: “Vê só, por isso que não participo da Igreja; lá também tem pessoas assim, o que não deveria acontecer”. Outros, ao contrário, resolvem abraçar a comunidade, mas o fazem do seu jeito e do seu modo, esquecendo com facilidade do jeito ensinado por Jesus: “Chamar o irmão, conversar com ele, fazê-lo entender que há possibilidade de acerto, mesmo através dos erros cometidos”.

E, então, que tipo de relações queremos construir em nossas comunidades? Relações fraternas? Verdadeiras? Todas tatuadas pela marca indelével do amor cristão? Ou comunidades azedas, amargas, machucadas, velhas no exercício dos sentimentos e das emoções?

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