Advento: esperança que renasce! (Mc 13, 33-37)


Com esta liturgia dominical, abrimos, em toda Igreja, o Tempo bonito e fecundo do Advento. O Tempo do Advento é, para a Igreja, o que a primavera é para a natureza. Ou seja, celebrar o Advento é recordar que as ferramentas positivas, que todos têm em si mesmo, podem florescer, ainda que a paisagem da nossa vida não seja a mais favorável.

A estação em que as flores desabrocham é a primavera. Aqui o verde desponta, a vida acontece, o perfume se levanta e toma os campos, as praças, os bosques e os jardins. Na Igreja, o Advento é o momento em que despertamos nossa consciência, por vezes, engessada, mesmificada, encurvada e escravizada aos afins que passam, embrutecem e morrem nos atalhos secos e carcomidos pelo nada.

Desde que o mundo é mundo, o cenário será sempre o mesmo, afinal de contas, mudam-se os personagens, mas permanece a paisagem. Eis o que nos diz o Evangelho: “Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir”.

No texto evangélico, não precisamos descer a fundo no enunciado, para perceber como é pesado o jogo com as imagens apocalípticas; é verdade que aqui elas não estão relatadas. Entretanto, mesmo em meio a estas, sobrevive o dado amoroso do Pai, que confia a administração e os cuidados da sua casa (Reino) para o seu Filho Amado.

Mas, por que tanta insistência na vigilância? Certamente, porque não havia outro predicamento que fosse capaz de fazer os velhos e os novos discípulos seguirem o Senhor na sua ausência física e temporal. Pois, seguir alguém que conhecemos e que, todos os dias, apalpamos com o viés da experiência sensitiva, não é difícil. Difícil mesmo é preparar-se, prevenir-se. Difícil é seguir o que os olhos da carne não conseguem mais ver, nem os ouvidos ouvir, restando apenas o coração para amar uma Pessoa que só a esfera da Fé consegue tocar e, com Ela, se familiarizar.

Viver, amados irmãos e irmãs, é não ter medo de despertar do sono existencial que nos trava, nos amedronta, nos quantifica, nos coisifica, colocando em nós a verdade barata e irracional, que podemos fazer da nossa vida o que bem entendermos. Viver é não ter medo de dar-se uma segunda chance, pois, se na primeira, erramos e falhamos, na segunda, poderemos acertar e vencer; afinal, Deus nos presentou com seu fruto bendito: Jesus!

Não tenhamos medo! Vivamos com confiança esse Advento, olhemos para o alto, revisemos nossa história! Quantas vidas já cruzaram nosso caminho e quantas amizades que criamos, achando serem absolutas, e, no entanto, tudo, e todos já passaram! Uns, lamentavelmente, enterrados para sempre sob o olhar castigador e severo da história, outros lembrados eternamente pelo bem que praticaram!

Sempre nos ensinaram que “o brasileiro só fecha a porta quando é roubado”. Que este dito jamais encontre espaço em nós, na esfera do crer, do esperar e do amar!

Leave Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *