A Resposta do Amor! (Lc 15,13.1132)

A Mesa da Palavra de hoje está repleta de personagens, nos quais, podemos ser configurados, são eles:

– O Pai: homem objetivamente bom, resolvido na atitude de amar, firme nas decisões, ponderado nos costumes, reservado nas ideias, senhor de si e dos seus. Tranquilo estava quando viu o filho mais moço sair; tranquilo permaneceu, por ocasião do seu retorno. Liberdade não lhe faltou, em momento algum, pois a acolhida ao perdido não se deu por privação, mas por gratuidade.

Pai, pobre de Espírito, tendo tudo para viver e se alegrar com o filho que lhe restara, ao avistar o pródigo retornando, imediatamente, se desfaz do que tem, para celebrar. Atitude de quem sabe que nada é seu, tudo é de Deus.

Pai, cheio de perdão, pois, ao acolher o sem juízo, não questionou suas andanças, não murmurou perante o erro praticado, não excluiu o pecador em vista do seu pecado, e, tal qual o Deus de Jesus Cristo, substituiu a penitência pela festa, a tristeza pela alegria, a dor e o luto pela confiança na vitória do amor.

Este Pai, no Cristianismo, foi comparado a Deus. Ser que nos ama, perdoa-nos, cuida de nós, ainda que não sejamos capazes de devotar-lhe tais dons na mesma proporção!

– O Filho mais moço: rebeldia encarnada, alguém que cultiva dentro de si pensamentos próprios da adolescência e juventude rebeldes: “Ninguém manda em mim” / “Já sei o que quero para minha vida” / “Em minha vida, mando eu” / “Quando eu completar 18 anos, verão só”… .

O filho pródigo, erroneamente, tornou-se, na catequese cristã, o “bonzinho” – isto não é verdade! O arrependimento que dele proveio, não foi por amor, ou por um reto exame de consciência, senão, pela dor da privação: “Na casa do meu Pai, tem pão com fartura e eu, aqui, morrendo de fome”. Filho mais moço, mais escravo, mais preso ao seu próprio eu; escravo da própria libertinagem e dos próprios sonhos, precisamente porque, não suportando a dureza dos fatos, abdica-se deles e recorre à fuga, ao êxodo, crendo ser esse o melhor caminho.

De vez em quando, tais acontecimentos não batem à nossa porta? Num dado momento ou noutro, quem de nós não experimentou essa rebeldia? Num instante, pensamos: “Sou feliz!”, porém, tal sensação passa tão depressa quanto a folha seca levada pelo vento.

– O Filho mais velho: hipocrisia latente, figura bem construída por fora, ser que passa ideia de beleza, de ordem, alguém que parece não desabar diante das tempestades da vida. O mundo pode cair, os rios podem virar mar, ainda que tudo e todos degringolem, ele continua de pé. Figura firme, resoluta, pronta. É o tipo do filho “certinho”, do cristão de aparência resolvida, mas coração fechado e preso. Servo de uma solidão acompanhada (“eu” e seus apegos), incapaz de sair, de levantar os olhos, de festejar, de celebrar, apenas porque se apegou demasiadamente às estruturas e esquemas. De acordo com o Evangelho, o único movimento capaz de tirá-lo do lugar foi o retorno do seu irmão.

Por quê? Certamente porque dentro dele levantaram-se questões tais como: “Por que ele e não eu?” / “Ele é mais amado do que eu!” / “Eu perdi minha vida aqui!” / “O Pai o ama mais do que a mim!”.

Entenderemos bem esta catequese se, ao invés de continuarmos levantando teologias sobre os personagens, sinceramente nos questionarmos: entre os dois filhos, qual me fala mais sobre mim? Que veste me representa na totalidade? Que manto me cobre em profundidade, levando-me ao mais profundo de mim? Sou o mais moço ou o mais velho? Seja qual for a conclusão, não tem problema: o Pai existe, Ele é Deus, seu nome é Pai, seu sobrenome é Misericórdia!

Pe. José Ancelmo Santos Dantas – Coord. da Feira Vocacional