A Pedagogia do Reino! (Mt 20,1-16a)


Crescia sempre mais, nas praças e redondezas da Galileia, a quantidade de trabalhadores que passavam o dia não fazendo outra coisa a não ser esperar o convite dos grandes latifundiários a que fossem cultivar suas terras. Pois, ao passo que diminuíam as colheitas, crescia o imposto fiscal, fazendo os pobres abrirem mão do pouco que possuíam, e os ricos a produzirem mais, por terem um fluxo abundante de rendimentos.

Certa vez, o patrão, precisando contar com mais funcionários além dos já contratos na primeira hora, resolveu derramar sua misericórdia e bondade sobre todos, pagando a cada qual exatamente o que tinha sido combinado. Mas, logo, ele foi questionado, e até repreendido, pelos funcionários da primeira hora: “Os últimos contratados trabalharam somente uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportamos o peso do dia e o calor?”.

Certamente, nossa pergunta não deveria ser construída sob a ótica da curiosidade, ou seja, “por que os trabalhadores da primeira hora agiram assim?”. Mas, “por que Jesus contou esta parábola?”.

  1. Para mostrar aos teólogos defensores da velha Teodicéia judaica que Deus não é chefe, patrão, tampouco matemático ou contador;
  2. Que Deus é Pai, e como tal, derrama suas bênçãos sobre todos, sem exceção;
  3. E, a fim de que, as comunidades cristãs entendessem que os pagãos, ao pedirem ingresso nas novas comunidades e receberem o Novo Batismo, não deveriam ser, por isso, menosprezados ou relegados.

 E nós, como devemos agir diante de um texto tão provocador e questionante como este? Devemos correr atrás de mil e uma hipóteses teológicas, para tentar conhecê-lo mais e melhor? Ou antes, precisamos ir a fundo na historicidade do mesmo, como se este ensaio catequético, de tom parabólico, quisesse se justapor aos parâmetros da crítica textual? Não!

Aqui devemos deixar que as ondas do Evangelho celebrado tomem-nos por inteiro! Precisamos tirar os mantos de certezas e credibilidades que carregamos no intelecto, fruto da razão, e, por ora, devemos reconhecer e, sobretudo, deixar que Deus seja simplesmente o que Ele é: Deus!

Quantas vezes falamos sobre quem Ele É, e, quantas vezes ouvimos teses ateístas tentarem provar quem Ele não É? Porém, esquecemo-nos de perguntar que tipo de “deus” produzimos dentro de nós. Ah, se o “deus” arquitetado por nós é do tipo contador, certamente ele não deixará passar nada! E tudo em nossa vida será contabilizado, equacionado, quantificado e matematicamente distribuído. Ou, ao contrário, pode ser que a imagem de “deus”, construída pela força da nossa razão, é a de um ser observador, cuidadoso, educado, fino. E, então, nossa vida será uma eterna análise, uma terapia infinita, onde eu me apresento diante dele e demonstro como estou mudando.

Hoje, Jesus nos oferece outra possibilidade, que nos parece ser a mais coerente: aceitarmos a verdade de que Deus é estrondosamente BOM, e mais, a maneira de exercer sua BONDADE foge completamente dos nossos esquemas e projetos. Simplesmente porque Ele é livre para fazer cair chuva e sair sol para todos! E dá a cada um conforme sua Vontade livre e justa!

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