Homilia: A Moeda e o Amor! (Jo 2, 13-25)

Encontramo-nos diante de uma passagem evangélica tensa e questionante. Jesus sobe a Jerusalém, cidade com aproximadamente 55 mil habitantes, mas que, na época da festa da Páscoa, abrigava perto de 125 mil peregrinos. Lá, tudo girava em torno do Templo: cultura, economia, comércio, etc. Este suntuoso Templo fora construído por Herodes, para agradar aos judeus.

De repente, Jesus chega neste cenário. Certamente, seus olhos humano-divinos puderam contemplar imagens negativas, tais como: relações interesseiras, lucros injustos, crenças distorcidas, fazendo surgir, na casa do Pai, uma fé ritualista. Ali, Jesus demonstrou sua indignação: “Não façais da casa de meu Pai um mercado”. Pois, por um lado, Sacerdotes e cambistas almejavam um bom dinheiro e, por outro, peregrinos acreditavam poder comprar Deus com seus tributos e pagamentos.

Lamentavelmente, para Jesus, aquele recinto não podia ser a casa do seu Pai. Ele não podia se sentir parte daquela família. Porque, para Jesus, quem se agarra na segurança do capital acaba por esquecer-se de exercitar a confiança no Pai: que alimentou os pássaros, que embelezou as flores, que deu vida aos que morreram.

A crítica de Jesus não se reduziu à religiosidade do passado. Antes, ela continua viva e atuante em nossos dias. Precisamos rever o nosso real interesse em evangelizar. Por que levantar tantas paredes para anunciar o Evangelho? Por que desistir de uma comunidade, de um credo e um culto, para associar-se a outro? O que nos leva a querer tanto difundir o Evangelho? Levamos a Palavra de Deus ou, antes, levamos o nosso eu? Se Jesus pudesse, corporalmente, dar um depoimento sobre a comunidade da qual participamos, receberíamos um elogio ou um alerta?

O sonho de Jesus era que a comunidade do Templo fosse bonita, bela, formosa, não em sua arquitetura, mas em suas relações, no convívio fraterno entre todos, superando as divisões de grupos, as rixas religiosas, quebrando os muros da indiferença e da frieza. Mas, ela preferiu a beleza exterior, a moeda, o comércio, a exportação, o lucro, o ter à virtude do ser! Ela não entendeu que dinheiro algum jamais poderia comprar o amor. Porque amar é dom, é oferta, é relação e só ama como Jesus, quem não tem medo de ser: pobre, livre e servo!

E nossa comunidade (Igreja / família / trabalho / escola / bairro), como a construímos? Como se dão nossas relações? Em que elas se baseiam? No lucro, no ganho, no câmbio? Devemos cuidar para que nossas orações não sejam construídas de tal maneira. O Pai é livre para construir e destruir, derrubar e levantar, podar e fazer frutificar. Confiemos no Pai! Tal como Jesus, coloquemos Nele nossa esperança! Vivendo retamente esta vida que passa, experimentemos todos os dias a força dinâmica e dadivosa da Ressurreição, que começa no cotidiano do nosso sim a Deus, por meio de Jesus. Confiarmo-nos ao Pai é um bom meio para vivificar em nós as ferramentas da: Oração, Penitência e Jejum.

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