A espera, o dever e a missão! (Mt 25, 1 – 13)

 


Foi preciso apenas ter no cenário dez donzelas, um esposo e uma porção de óleo para que a parábola fosse construída, a mensagem fosse passada e o reino fosse anunciado. Eis o método precioso de Jesus! Preferia sempre usar a vida, os acontecimentos, os símbolos que nos são familiares para aí encontrar espaços, a fim de anunciar o Reino do Pai.

Historicamente falando, havia passado a febre escatológica que reinava sobre a comunidade dos primeiros discípulos de Jesus; afinal de contas, todos os cristãos da primeira geração acreditavam numa volta iminente do Filho de Deus, tal qual tentara falar o profeta Daniel, no Antigo Testamento. Para acalmar os ânimos, e ao mesmo tempo fazer a comunidade entender que ele veio, vem e virá, o evangelista Mateus, falando para descendentes da fé judaica, disserta: “O reino dos céus é comparado a dez donzelas, que tomando suas lâmpadas, foram ao encontro do esposo”.

Mas, o que significa esse versículo parabólico? Essa parábola, no fundo, é uma alusão aos casamentos judaicos. Estes tinham hora para começar, mas não tinham hora para terminar. O que sempre acontecia nos casamentos, inclusive hoje, eram os atrasos, e, infelizmente, os convidados não se atinham a este detalhe importante. Para Jesus, o convidado precisa estar preparado. Ser convidado ou sentir-se convidado é sempre bom e apetitoso, porém, reiteradas vezes, esquecemos que o convidado precisa estar preparado. Disto resulta a verdade de que o convidado não tem só direitos, mas também deveres.

O esposo atrasou, a festa se prolongou, os ânimos se exaltaram, o óleo acabou. O que fazer? Eis uma pergunta que nem sempre podemos obter uma resposta exata, pois a regra é: caso o noivo chegue e o convidado esteja ausente este não terá direito de participar do festim nupcial. Isso, para o judaísmo, era uma espécie “de tarja sacramental”: os convidados atrasados não têm direito de gozar da alegria do seu anfitrião.

Mas, no cristianismo, arriscamos afirmar que, depois do batismo, é quase “impossível” uma lâmpada estar totalmente vazia e desprovida de óleo, a menos que o coração batizado construa um projeto de vida excluindo completa e livremente Deus das suas atividades. É muito provável que o sufoco da vida moderna, a pressa da técnica, a praga da depressão, a peste da ansiedade façam diminuir qualitativamente o teor do óleo que carregamos em nossa lâmpada. Mas, não acreditamos que a lâmpada acesa em nós pelo Espírito de Jesus no dia do batismo esteja totalmente apagada. A chama a iluminar os passos daqueles que esperam precisa receber apoio e força do óleo. Com este, os lutadores eram banhados, no antigo Império Romano, antes de travarem lutas mortíferas; os alimentos, por causa dele, recebem sabor; o peito da criança é ungido e persignado, a fim de que ela tenha condições de ser: Sacerdote, Profeta e Rei.

As donzelas citadas no texto evangélico representam todos os seres humanos que já se apaixonaram. Quando nos apaixonamos por alguém, esperar não é um peso, desejar encontrar-se com o amado não é um fardo, pois a adrenalina da paixão e o fogo voraz do amor que incendeia o coração apaixonado são capazes de fazer os tempos e as estações pararem só para encontrar a pessoa amada.

Podemos intuir que Deus espera esse amor apaixonado da nossa parte, isto é, uma fé que tenha moléculas de compaixão, de tolerância, de perspicácia, mas, e sobretudo, uma fé apaixonada. Uma fé que entenda, a partir de dentro, que, para quem ama, esperar não é símbolo de subserviência e escravidão, mas de liberdade e decisão.

Que o Espírito Santo de Jesus nos ajude a entender que: o convidado, além de direitos, terá sempre deveres; por ocasião de nosso batismo, nossa lâmpada pode conter pouco óleo, porém é praticamente impossível ela estar vazia; todo homem e toda mulher são convidados a enfileirar-se dentre as dez donzelas para perceber que, quando amamos, esperar não é escravidão, mas é símbolo de que o amor não passa jamais.

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