O Caminho do Amor! (Mt 22,34-40)


Ele, nos últimos dias da sua vida terrestre, teceu catequeticamente quatro grandes parábolas e cada qual, embora deixasse admirados os que ouviam, interiormente enchia de raivas e maldades diversos corações, sobretudo, os apegados ao poder e à velha estrutura religiosa.

Como não lembrar da parábola dos operários chamados em horas diferentes para trabalhar na vinha? Como esquecer da parábola dos dois filhos, tão diferentes em questão de obediência? E o que dizer da parábola dos homicidas? Por fim, mais recente, ouvimos ser proclamada a parábola dos convidados para as bodas, que não se preocuparam em responder ao convite.

Depois disso, Jesus foi bruscamente submetido a uma série de exames, por parte daqueles grupos que se consideravam membros da alta cultura de Israel. Sim, Jesus teve que responder aos fariseus e herodianos quanto à problemática do tributo; aos saduceus sobre a vida após a morte do homem e da mulher; e, por fim, aos fariseus que lhe perguntaram acerca do maior mandamento.

E a prova hoje relatada no Evangelho é, sem dúvida, a mais delicada, precisamente porque toca o coração da Fé Judaica. Sim, a expressão foi ressuscitada propositalmente na boca do escriba: “Muito bem, Mestre, com razão disseste que Ele é o único e não existe outro além dele; e amá-lo com todo coração, com todo entendimento, com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios”. Para além da ironia, contida neste pronunciamento, isto era dogma de fé, nos lábios de todo bom judeu.

Acontece que, enquanto para as classes de Israel o amor era fruto da boa conduta do comportamento humano, para Jesus ninguém consegue amar literalmente a Deus, precisamente porque amar não é a soma de sentenças, nem a elaboração certeira de hipóteses, mas é, antes de tudo, um Dom. Só o Filho Jesus é que pode Amar verdadeiramente o Pai. E nós, se quisermos amar a Deus, devemos sempre mais abrir-nos ao Espírito de Jesus ressuscitado, a fim de que Ele nos encontre, nos faça partícipes da sua vida e, na comunidade, deixemos transparecer aquilo que, fidedignamente, aconteceu em nosso coração.

Isso porque o cristão não vê a Deus, mas vê o próximo, e sabe que o seu comportamento para com o próximo revelará sua atitude frente a Deus. Ou, antes, sabe que os dois amores, quando se tomam a sério, são experimentados na vida humana como algo que o homem não pode produzir, mas apenas receber do alto.

Deus sempre nos amou e nos ama, no seu Filho Jesus, mas não somos amados sozinhos, isto é, cada qual na sua particularidade, jamais. Ele nos ama com todos os outros, e só apoiando-nos com amor uns nos outros, que em Jesus e com Jesus, poderemos tocar algo do Mistério de Deus.

Enquanto vida tivermos aqui, lembremo-nos de que: cada ato de caridade e de bondade, cada oração e cada gesto de atenção em favor do próximo não ficarão perdidos, pois encontrá-los-emos na plenitude eterna.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *