A Lógica da Vinha! (Mt 21,33-43)


Eis um texto evangélico duro, tenso, mas conciso e leal à história, à cultura e ao contexto, desde a época de Jesus, até os dias atuais. Caso nos cobríssemos pelo manto do concordismo católico ou pelo princípio protestante da Sola Scriptura, tese esta tão ratificada e apresentada durante a Reforma, logo concluiríamos: Jesus contou esta parábola e ela caiu em cheio sobre o judaísmo! Sim, por benevolência Divina e fechamento dos judeus à Pessoa de Jesus, Deus permitiu que o Império Romano dispersasse os judeus e os derrotasse.

Ora, não devemos entender este fato parabólico como se os evangelistas quisessem revigorar o orgulho da nascente comunidade cristã, e, ao mesmo tempo, quisessem pôr para baixo o judaísmo donde proviemos e devemos as nossas raízes.

Do contrário, a pergunta a ser erigida deveria conter o posposto enunciado: “Será que pode acontecer com a Igreja Cristã o mesmo que sucedeu ao antigo Israel?”. Pode a Igreja defraudar as expectativas de Deus? E se não conseguirmos os devidos frutos exigidos pelo Senhor? Que será de nós?

Precisamos ficar atentos para não cairmos na valeta fácil e rasa de uma fé sem compromissos e entrega de vida. O problema daqueles que arrendaram a terra não foi simplesmente o fato de não terem devolvido os devidos frutos, no tempo da colheita; mas, e sobretudo, o fechamento a todo e qualquer modo de negociação, de diálogo, a fim de se chegar a um denominador comum.

Não seria, este, um enunciado de alerta para nós, cristãos, que vivemos a fé cristã de maneira muito etérea? Não deveríamos rever humildemente diversos pontos da nossa fé, NÃO enquanto conteúdo, mas enquanto comportamento pessoal no cotidiano das nossas vidas?

Israel, aparentemente, estava bem, a sensação de segurança rondava, constantemente, os portões e os muros do seu Templo; a Sagrada Escritura era diariamente proclamada, celebrada e vivida; os preceitos eram rapidamente ensinados e aprendidos; a religiosidade crescia na sombra da tradição e dos bons costumes, mas, repentinamente, não sobrou pedra sobre pedra.

Vivendo num mundo tão demarcado pela força do ter em detrimento do ser, onde a peste do dinheiro compra honras, valores, juízos e até consciências, devemos ficar atentos e pedir a Jesus a graça de não cairmos nem nas cordas do orgulho, nem tampouco nas amarras da autossuficiência. Afinal, somos e queremos ser simplesmente servos, instrumentos do Amor Ressuscitado do Senhor que abre portas, constrói pontes, rompe barreiras, para alcançar o distante e aproximar o diferente.

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